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Críticas de Cinema
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Uma coisa toda nova

Luz demais sob a zona de penumbra

Emerson é um adolescente culto e andrógino que vive com os pais hippies num sítio isolado, sob rígido regramento ecológico e educação caseira. Ao ser matriculado numa escola formal, experimenta o contraste com o mundo exterior e seus ritos de passagem, em geral dolorosos. Além disso, cultiva um misto de afeto e paixão pelo professor de literatura, um homem quase 30 anos mais velho, que esvazia seu desejo buscando transas rápidas com desconhecidos em banheiros públicos.

Segundo longa do diretor canadense Amnon Buchbinder, Uma coisa toda nova quer se valer dessa trama básica para explorar as semelhanças que possam existir entre o reprimido mestre e o extrovertido aluno, com a mediação do interesse sexual. A condução da história, no entanto, é prejudicada pela falta de sutileza. Com a exceção de seqüências pontuais – destaque para a que um colega de turma do adolescente identifica as tradicionais máscaras da tragédia e da comédia como um ‘emoticon’ – o filme afunda em suas próprias pretensões. Seja nos diálogos, diretos demais para um situação de tanta complexidade; seja na desnecessária repetição de seqüências (como a polução noturna do garoto), Buchbinder coloca negrito sobre o que está implícito, e acaba por lançar uma luz forte demais numa zona que deveria se marcar pela penumbra.

Resenha publicada no site Críticos.com