
Um debute feito de cores
O tom róseo e caricatural que marca as seqüências iniciais de Meus quinze anos antecipa o grande achado desse delicioso filme da dupla Richard Glatzer (ex-assistente de Sidney Lumet) e Wash Westmoreland (conhecido pela direção de produções pornô): o notável uso das cores de cenário e figurino como alegoria dos contrapontos que a trama vai estabelecer. Magdalena é a filha mais nova de uma família mexicana religiosa radicada em Los Angeles. Prestes a completar 15 anos, ela espera ter uma festa à altura do debute da prima mais abastada, que incluiu toda a cafonalha característica de tais eventos: música ao vivo, vestidos ornamentais, a tradicional valsa, além do passeio numa limusine.
Seus sonhos, contudo, são cortados quando se descobre grávida. Expulsa de casa pelo pai, Magdalena vai morar com o tio avô Tomas. O solitário Tomas já abriga em seu lar o desajustado e homossexual Carlos, que, a exemplo da moça, sofre a rejeição da família. É neste novo e deslocado clã de ‘outsiders’ que serão estabelecidos laços de solidariedade capazes de promover uma verdadeira transformação não só nos três, mas nos demais personagens da história, tão ciosos das aparências sociais.
A boa sacada dos diretores é fazer com que esse processo de mudança seja espelhado pela cromatização das imagens. À medida que Magdalena, Carlos e o tio vão enfrentado as naturais dificuldades de lutar contra a falta de grana e experimentar a gravidez precoce, uma afetividade mútua se sedimenta, e as tonalidades do ‘rosa ideal’ que pintavam a tela no começo do filme são paulatinamente trocadas pelas cores concretas que tingem tudo o que é humano. Eis, então, o verdadeiro debute.
Resenha publicada no site Críticos.com
