
Há um massacre de mulheres perpetuado em larga escala, fruto da "pedagogia do macho ferido" que chega ao absurdo. Há uns 20 anos atrás trabalhei em um documentário no Paraguai sobre "as meninas desobedientes", isso mesmo, a desobediência (ao pai, ao tio, ao padrasto) de uma garota lá era considerada crime e a pobre encarcerada pura e simplesmente. Cana dura mesmo, nada de instituição para menores. O documentário foi chamado assim mesmo "Las niñas desobedientes de Paraguay". Tá na Alemanha. O registro é só pra dar mais um exemplo.
Valeu pela publicação, buddy. Pois é, Vitor. O lance ali foi pelo viés mais radical do comportamento machista. Nem com o instrumento de força que era o 38 (símbolo fálico?) a posse foi conseguida; pelo contrário. São modelos decadentes de comportamentos, cujo paralelo com as estruturas das tragédias clássicas pode servir para que entendamos essa nossa realidade, e assim tentar torná-la menos cruel e mais humana. Abs.
Realmente esse episódio é uma tragédia, mas a última coisa que se pode associar a ele é o amor. Precisamos acordar para o fato que necessidade de poder em nada se aproxima de amor. Esse rapaz não deixou de ter a oportunidade de aprender o que é o amor, simplesmente porque o sentimento dele não está relacionado a isso. Violências contra mulheres e crianças são vistas há décadas. Há pouco se precisou da lei Maria da Penha para se trazer luz a esse assunto. Mas, curiosamente, semana passada se divulgou que foi excluído do entendimento de agressão à mulher, casos de ex-namorados. E não precisou muito para se mostrar que isso é um erro. Uma ação por impulso é algo que alguém faz num átimo de tempo, não uma barbárie perdurada por cem horas, planejada antes (pois a arma e o estoque de munição não apareceram por varinha de condão), e encerrada em três tiros, com a crueldade que só se vê nos bandidos “profissionais”. Não, isso definitivamente não é amor.
Excelente texto, Henrique. É a tragédia grega do nosso mundinho contemporâneo.
Obrigado, Moutinho.
Abraços.
Ramon.
Podescrer... de fato, tudo começou porque o sujeito, basicamente, não soube lidar com a rejeição, com a perda...
Mas é bom não deixar passar que, tragédias gregas à parte, esse "sentimento de posse" que levou o cara a se achar dono da mulher (no caso, da menina) não pode nem deve ser lido apenas de forma "romântica"...
É justamente essa leitura "romântica" do sentimento de posse do homem sobre a mulher que legitimou durante décadas (e ainda hoje o faz) a violência contra a mulher, a chamada "legítima defesa da honra"...
Alguém duvida que, estatisticamente, os homens "rejeitados" matam muito mais o "objeto" (?) do seu amor? Por que será?...