
De fato não creio que seja das putas em si. Acredito que se trata das mulheres marginais. Eu mesma conheço inúmeras assim. Mulheres são criadas esperando o príncipe encantado. Por mais que elas vão ficando duras e frias com o passar do tempo, atrás de sexo barato, ainda resta nela uma vontade de te ter alguém. É o famoso gostar de ser sozinho, mas não gostar de estar sozinho, entende?
São mulheres que caçam em bares na meia luz. Bebendo para amenizar a dor, que se sentem putas, mulheres que estão a margem da sociedade.
Quando leio um texto assim me pergunto: - pra quê ele foi feito? Quero dizer, onde uma "realidade" como esta esta situada? Por certo que não é na própria vida das putas, não acontece nos botecos da Mem de Sá e nos pés-sujos de Copa, que eu costumava frequentar com o falecido João Antônio. Nem quero comentar a própria intenção "iniciática" do conto, quando o universo da suposta dama é mais ou menos desvendado pro interlocutor/leitor, mas me refiro a trivialidades como a de dizer que "a morte é muito feia, muito suja, muito triste". E ela ainda procurando, achando que um dia vai encontrar o verdadeiro amor, me fez rir. Há muitos anos atrás estive no Mangue, quando ainda era aquela coisa monstruosa como um dente cariado na cidade, montes de papel higiênico empilhados nas calçadas, e uma puta gorda e descabelada riu pra mim: "ei magrelo, deixa eu entrar na tua calça Lee?"