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      <title>Blog - Marcelo Moutinho</title>
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      <description>Blog do Marcelo Moutinho - www.marcelomoutinho.com.br</description>
      <language>pt</language>
      <copyright>Copyright 2012</copyright>
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         <title>Festa literária no Porto</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/convite_fim.jpg"><img alt="convite_fim.jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/convite_fim-thumb.jpg" width="350" height="228" /></a></p>

<p>No próximo fim de semana, de 10 a 21 de outubro, o Morro da Conceição vai sediar o Fim de Semana do Livro no Porto (FIM), que reunirá escritores em conversas informais, abertas ao público, e uma intensa programação, com visitas aos ateliês locais, apresentação de conjuntos musicais, oficinas, e barraquinhas com livros. O evento foi idealizado pelo escritor e editor Raphael Vidal.</p>

<p>Os trabalhos serão abertos na sexta, às 19h, no Bar Imaculada, com o lançamento do livro "Porto do Rio - Do início ao Fim". A publicação reúne dez histórias ambientadas na região portuária. Cada autor escolheu uma parte da área para contar sua história. Faço parte da antologia, com um conto que se passa na Praça Mauá. Também estão no livro, que traz imagens feitas pelo fotógrafo Maurício Hora, Flavio Corrêa de Mello [Santo Cristo], Julio Silveira [Gamboa], Leandro Jardim [Morro do Pinto], Marco Simas [Pedra do Sal], Mariel Reis [Morro da Providência], Ramon Mello [Cais do Valongo], Raphael Vidal [Morro da Conceição], Vinicius Jatobá [Porto], Zeh Gustavo [Praça da Harmonia]. </p>

<p>No sábado e no domingo, acontecerão os debates, com curadoria geral de Vinicius Jatobá. Serão 14 bate-papos informais, que terão a participação de escritores como Alberto Mussa, Antônio Torres, Dodô Azevedo, Mariel Reis, Nei Lopes, Paulo Lins, Ruy Castro e Sérgio Cabral, sobre temas diversos como a cidade, samba, futebol e literatura. Outros profissionais como o economista Carlos Lessa, a antropóloga Mirian Goldenberg, o advogado Edu Goldenberg, o historiador Luiz Antonio Simas, e os jornalistas Álvaro da Costa e Silva, Cora Rónai, Paulo Thiago de Mello e Sérgio Rodrigues também estarão nos encontros, que serão realizados no térreo de um sobrado da Ladeira do Pedro Antônio, em que a cenografia assinada pelo artista Sergio Marimba remeterá à ideia de “papo de boteco”. </p>

<p>Estarei na mesa "Domingo eu vou ao Maracanã - A literatura tocando a bola", ao lado do bravo Rodrigo Ferrari e do editor Cesar Oliveira, no domingo, às 16h30. Confira a programação completa do evento, que terá shows de Zé Luis do Império, de Nelson Rufino e do Cordão do Bola Preta, <a href="http://blog.fimdolivro.com.br/p/conversas-201012.html">aqui</a>.</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/10/festa_literaria_no_porto.php</link>
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         <pubDate>Mon, 15 Oct 2012 12:53:43 -0300</pubDate>
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         <title>Ziraldo e Roger Mello</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/filipetas_encontros_ziraldo_setembro.jpg"><img alt="filipetas_encontros_ziraldo_setembro.jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/filipetas_encontros_ziraldo_setembro-thumb.jpg" width="300" height="450" /></a></p>

<p>A série Encontros Literários, da qual sou curador, receberá hoje, às 19h30, os escritores e ilustradores Ziraldo e Roger Mello. O tema do bate-papo é o encontro ideal entre a palavra escrita e o desenho no universo da literatura infantil, e o debate será conduzido pela jornalista Manya Millen, editora do suplemento Prosa & Verso (O Globo). A entrada é franca e o encontro acontecerá na Biblioteca Municipal de Botafogo (Rua Farani, 53).</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/09/ziraldo_e_roger_mello.php</link>
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         <pubDate>Wed, 26 Sep 2012 11:47:10 -0300</pubDate>
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         <title>Booktrailler</title>
         <description><![CDATA[<p>O Prêmio Portugal Telecom produziu booktraillers dos livros finalistas de 2012. Este é o do meu "A palavra ausente", finalista na categoria Contos e Crônicas.</p>

<p><iframe width="370" height="208" src="http://www.youtube.com/embed/ketroGF-b0Q" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/09/booktrailler.php</link>
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         <pubDate>Tue, 25 Sep 2012 15:23:11 -0300</pubDate>
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         <title>Literatura que ousa dizer seu nome</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/flyer_encontros%20%282%29.jpg"><img alt="flyer_encontros (2).jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/flyer_encontros%20%282%29-thumb.jpg" width="300" height="450" /></a></p>

<p>João Silvério Trevisan, autor de "Devassos no paraíso" e "Ana em Veneza", entre outros, estará no Rio hoje para debater com a também escritora Lucia Facco (de "Lado B: Histórias de mulheres" e "As heroínas saem do armário: Literatura lésbica contemporânea") como a questão da homossexualidade tem sido trabalhada pela literatura brasileira. O bate papo acontecerá às 19h30, na Biblioteca Municipal de Botafogo (Rua Farani, 53), como parte da série Encontros Literários. A mediação será de Denilson Lopes. Apareçam!</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/08/literatura_que_ousa_dizer_seu.php</link>
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         <pubDate>Wed, 29 Aug 2012 12:36:19 -0300</pubDate>
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         <title>No Estado de Minas</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/epe2508p0004_OK%20%282%29.jpg"><img alt="epe2508p0004_OK (2).jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/epe2508p0004_OK%20%282%29-thumb.jpg" width="300" height="509" /></a></p>

<p>O caderno Pensar, do Estado de Minas, publicou hoje resenha sobre meu livro "A palavra ausente". Quem assina é André Di Bernardi Batista Mendes. Segue a íntegra.</p>

<p>"Impuro silêncio"</p>

<p>André Di Bernardi Batista Mendes</p>

<p>"Depois de Memórias dos barcos, de 2001, e Somos todos iguais nesta noite, de 2006, o carioca Marcelo Moutinho acaba de lançar, pela Editora Rocco, o livro de contos A palavra ausente. Já no título, o autor deixa pistas sobre a essência de sua busca. O seu estilo remete a perdas, que descortina um sentido de ausência e espanto que paira, como nuvem carregada, como sombra, às vezes indesejada, sobre as comoventes pequenas histórias. </p>

<p>Os contos de A palavra ausente são curtíssimos. Marcelo aponta para alvos improváveis e, sem querer saber de certos e errados, acerta na mosca. Ele não deixa brechas nem para um respiro. Depois de um conto, outro conto. Quando tudo fica grande demais, quando tudo pode ficar, de uma hora para outra, carregado de cargas extremas: uma pessoa que circula, de ônibus, pela cidade; o banheiro, um banho que causa comoção ao sugerir uma verdade; o encontro entre duas simples mulheres, a poeta (mar) e a faxineira (rio), duas almas que se cruzam, que se reconhecem diante do mistério, diante da beleza da vida. </p>

<p>Marcelo oferece uma espécie de oportunidade para o homem comum, para os seus personagens, para as coisas do cotidiano. Moutinho, através de pequenas pessoas, através das aflições, das angústias, das mágoas, quer, talvez, dialogar, quer chegar, quer alcançar o coletivo, quer atingir (e talvez modificar, para melhor) o que causa angústia: a falta de sentido, o sentimento de desamparo, e o amor, que tudo permeia e faz tudo crescer. Entretanto, não há fuga possível. Chega um tempo em que cai a nossa máscara, chega um tempo em que surge a descoberta irremissível: a vida nos recebe a tiros. </p>

<p>O lugar de Marcelo Moutinho são vários lugares. São os sítios e são, principalmente, as dores de seus personagens. Há uma enorme urgência em cada situação apresentada, e há um sentido de entrega e atenção por parte do autor que empresta aos textos uma verdade que chega dos breus dos abismos. Verdades que pulam das profundezas, que avançam como cães, que surgem com expectativa da morte, como nos contos “Jogo-contra” e “Dindinha”. Contudo, existe um fio, luminoso, de vida, que une todos os textos de A palavra ausente. </p>

<p>A sensibilidade de Moutinho cria uma espécie de nevoeiro, de ponte, que nos leva ao cerne de outras realidades, que por sua vez descortina, sempre talvez, a verdadeira face das coisas. Mesmo quando tudo é provisório, mesmo quando tudo é também sinônimo de um nada permanente. O grau máximo de coisa nenhuma, para o além do zero, às vezes rende poemas e bons textos. </p>

<p>As tais palavras ausentes de Marcelo remetem a descanso, é mais que silêncio, é puro pensamento, é pura promessa e mera possibilidade. Os contos do livro apontam para os contrários, para os avessos. Eles revelam perdições, sujeiras, abismos. Sem o nada, nada acontece, parece óbvio. A alma é vento de nada. O primeiro ímpeto para dizer deve surgir quando (ainda) não existem palavras. Tudo, na íntegra, continua ali, naquele estado de ânsia e espera, quando (ainda) inexistem histórias e signos. Existe uma força que impulsiona para o verbo. Pois o nada, para Marcelo, é também sinônimo de plenitude.</p>

<p>DESAMPARO </p>

<p>É exasperante, é constrangedor descobrir nas dobras, nas situações, antes especiais, um gosto súbito de desamparo, súbitas prescindibilidades. Berço e estação (destino), o vazio, a ausência, o vácuo é o verdadeiro ápice. É fonte para formulações, é combustível para as existências necessárias. Os contos de A palavra ausente revelam, acima de tudo, a força que existe em cada pessoa. Não cabe nos textos o meio-termo. Cada palavra modula um grito, prepara um soco, Marcelo dispara tiros certeiros, numa espécie de resposta a algo surdo e quase mudo. </p>

<p>De quebra, para preencher certos vazios, Marcelo inventa “fichas para a máquina da lembrança”. Ainda que, no conto “Interlúdio”, esquecer seja sinônimo de pura necessidade. No conto “Jogo-contra”, um tapa: “Ainda não sabia, então, que a tragédia se disfarça, ardilosa, é no interior do otimismo”. No conto “Folia”, a urgência de ar, abafamento, aflição, angústia. Os personagens de Moutinho, contudo, “aprendem a respirar no vácuo da ausência que ficou”. Marcelo aponta, delata a inutilidade, a insuficiência dos “apreços compulsórios”. No conto “Um cartão para Joana”, o Natal não é um tempo de renascimento. A beleza pode ser brutal. </p>

<p>Moutinho persegue, não sem um certo fascínio, “aquele acúmulo de nadas que no fim resulta em coisa alguma”, “a mesma sucessão de nadas”, “uma nova e inútil paisagem”. Mas, atente-se para isso, não há rancor nos contos de A palavra ausente. Marcelo tem, apenas, compaixão. Pois todos os gestos que denunciam partidas são sempre amplos por demais. São tristíssimos os contos de A palavra ausente. Marcelo repassa o que viu e ouviu, um tipo de música aguda, dissonante, e busca a profundidade do silêncio para captar “a cadência perfeitamente harmônica dos sinais”. </p>

<p>Marcelo embaralha, desmonta, com os seus contos, uma espécie de quebra-cabeça, quase adivinhando, naquele cotidiano de asperezas, a dureza e o sofrimento que surgem dos acontecimentos banais. O autor de A palavra ausente articula e (re)monta, a partir daí, uma engrenagem, uma engenhoca feita de forças extremas, inigualáveis: as derrotas, o não, que se sobrepõe ao Sol e ao sim, a doença, o medo. A alma, as sobras, e as sombras, da Lua e das ruas, tudo isso que os olhos captam. Tudo é ardiloso, mas no que essa palavra carrega de afago. Às ocultas, o coração dos homens vive cheio de astúcia, porque assim tem que ser, porque assim exige, na surdina, o mistério da vida em movimento".</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/08/no_estado_de_minas_1.php</link>
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         <pubDate>Tue, 28 Aug 2012 17:04:13 -0300</pubDate>
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         <title>O livro branco</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/O%20LIVRO%20BRANCO.JPG"><img alt="O LIVRO BRANCO.JPG" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/O%20LIVRO%20BRANCO-thumb.JPG" width="370" height="193" /></a></p>

<p>"O Livro Branco - 19 contos inspirados em músicas dos Beatles + bonus track" será lançado na próxima segunda, dia 27, a partir da 19h, na Livraria da Travessa. Sou um dos autores e meu texto foi inspirado em "Something". Também estão na antologia, organizada pelo Henrique Rodrigues e editada pela Record, Nelson Motta, Carola Saavedra, André de Leones, Simone Campos, Fernando Molica, André Santanna, Lucia Bettencourt e Zeca Camargo, entre outros autores. Pintem lá!<br />
</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/08/o_livro_branco.php</link>
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         <pubDate>Thu, 23 Aug 2012 18:17:39 -0300</pubDate>
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         <title>Ocorrência</title>
         <description><![CDATA[<p>Tem conto novo meu na revista Balaio de Notícias. O título é "Ocorrência" e a história trata de um furto (mas não só). Segue o trecho inicial. Leia o conto na íntegra <a href="http://www.balaiodenoticias.com.br/artigos-e-noticias-ler.php?codNoticia=126&codSecao=20&q=Ocorr%EAncia">aqui</a>.</p>

<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/moutinho_162.jpg"><img alt="moutinho_162.jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/moutinho_162-thumb.jpg" width="350" height="160" /></a></p>

<p>"1. <br />
Quando enfiei a chave e tentei girar, a fechadura veio junto e caiu no chão.</p>

<p>Estranhei, mas era uma fechadura antiga, talvez fosse efeito da ferrugem ou o desgaste natural do tempo. Empurrei a porta.</p>

<p>Os móveis mantinham a posição cansada dos últimos três anos: ao centro, uma pequena mesa cor de tabaco; colado à parede, o sofá de dois lugares com a manta colorida por cima. Ao lado, a cadeira estofada. O tapete felpudo dava um toque de aconchego à sala.</p>

<p>Assim que entrei a gata preta correu até mim, miados altos e sucessivos, e se esfregou na barra da calça jeans. Abaixei-me, acarinhei sua cabeça.</p>

<p>Oi, Preta, cadê sua irmã?</p>

<p>Ela apenas miava.</p>

<p>Senti falta da Branca e também do Nino, o cachorro, que sempre fazia uma algazarra de latidos ante a mera chegada de alguém. Mas não cheguei a ficar intrigado.</p>

<p>Mais quatro ou cinco passos e vi o corredor. Ao fundo, a luz acesa do quarto, o nosso quarto, ampliava o vazio sobre a pequena estante. A TV não estava lá.</p>

<p>Havia comprado uma dessas modernas de tela plana, full HD, cheia de siglas que mal sei para quê servem, na quinta-feira. No sábado, entregaram. Havia, portanto, apenas três dias.</p>

<p>Você derrubou a merda da TV nova?</p>

<p>A gata me olhava e miava. Me olhava e miava.</p>

<p>Ao entrar no corredor, notei que as luzes do quarto do meio estavam também acesas. O ventilador do teto girava na velocidade máxima, provocando um chiado constante.</p>

<p>Ana? Você já chegou?</p>

<p>A voz, dividida entre a curiosidade e um temor incipiente, insistia na pergunta dispensável. Eu havia falado com Ana não tinham se passado quinze minutos.</p>

<p>Tô saindo do trabalho ainda, ela disse. Quando chegar, pede alguma coisa pra gente comer que hoje não cozinho nem sob tortura.</p>

<p>Ana adorava cozinhar (...)"</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/08/ocorrencia.php</link>
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         <pubDate>Mon, 13 Aug 2012 14:49:14 -0300</pubDate>
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            <item>
         <title>Loco</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/loco.jpg"><img alt="loco.jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/loco-thumb.jpg" width="326" height="250" /></a></p>

<p>No jogo de ontem, contra o Figueirense, o time do Flamengo mostrou clara evolução. Foi, ao menos, um time com jogadas, não sei por consequência da mudança de esquema ou dos nomes em campo. De qualquer modo, mérito do Dorival. A partida marcou também o fim de jejum de gols de Vagner Love. Um cara que, mesmo em má fase, corre atrás. Tudo certo.</p>

<p>Ocorre que foi um atleta do time derrotado o responsável pelo grande momento do jogo. Falo, evidentemente, de Loco Abreu. No fim do segundo tempo, quando o Figueirense já perdia por 1x0, ele reagiu às provocações da torcida rubro-negra presente a Florianópolis. Virou-se para a arquibancada, levantou a camisa, apontou e beijou o escudo do Botafogo que traz na camisa de baixo.</p>

<p>Vocês podem dizer que o que importa é que o Flamengo venceu. De fato. Podem dizer, ainda, que foi um desrespeito com a equipe cuja camisa agora defende. Ok, também. Mas, no universo "hiper-profissional" do futebol de hoje, com sua tábua politicamente correta e seu rosário de declarações e posturas repetidas, o ato de Loco Abreu significou um rasgo poético de amadorismo. E é a poesia, inclusive no futebol, que vence a banalidade.</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/08/loco.php</link>
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         <pubDate>Thu, 09 Aug 2012 12:15:50 -0300</pubDate>
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            <item>
         <title>Chico Alvim e Chacal</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/11259636.jpeg"><img alt="11259636.jpeg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/11259636-thumb.jpeg" width="270" height="398" /></a></p>

<p>Nesta quarta, às 19h30, o grande Francisco Alvim estará no Rio para participar, com Chacal, do debate “2 poetas hoje, 36 anos depois”. Dois dos mais destacados integrantes da célebre antologia “26 poetas hoje”, lançada por Heloisa Buarque de Hollanda em 1976 - Alvim e Chacal debaterão o legado daquela geração e panorama da poesia no Brasil atualmente. O papo, que faz parte da série Encontros Literários e será mediada pelo Paulo Roberto Pires, será na Biblioteca de Botafogo (Rua Farani, 53).</p>

<p>Uma palinha do Chico Alvim (safra 1968):</p>

<p>"Drummondiana" </p>

<p>"Estamos gastos sim estamos <br />
gastos <br />
O dia já foi pisado como devia <br />
e de longe nosso coração <br />
piscou na lanterna sangüínea dos automóveis <br />
Agora os corredores nos deságuam <br />
neste grande estuário <br />
em que os sapatos esperam <br />
para humildemente conduzir-nos a nossas casas </p>

<p>Em silêncio conversemos</p>

<p>Que fazer deste ser <br />
sem prumo <br />
despencado do extremo de um dia e <br />
que o sono não recolheu?</p>

<p>Não não indaguemos <br />
Para que indagar matéria de silêncio <br />
Procurar a nenhuma razão que nos explique <br />
e suavemente nos envolva <br />
em suas turvas paredes protetoras </p>

<p>Nada de perguntas <br />
A campânula rompeu-se <br />
O instante nos ofusca</p>

<p>A quem sobra olhos resta ver <br />
um ser nu a vida pouca <br />
Só dentes e sapatos <br />
de volta para casa</p>

<p>Nem um passo à frente <br />
ou atrás <br />
De pés firmes <br />
o corpo oscilante <br />
neste suave embalo da mágoa <br />
descansemos"</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/07/chico_alvim_e_chacal.php</link>
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         <pubDate>Tue, 24 Jul 2012 15:23:21 -0300</pubDate>
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            <item>
         <title>Diálogo de surdos</title>
         <description><![CDATA[<p>Duzentos e quarenta e sete ficcionistas nascidos de 1972 para cá enviaram textos para concorrer à seleção da revista Granta – Os melhores jovens escritores brasileiros. Outros autores preferiram não participar do concurso, por discordar dos critérios ou motivos pessoais. Ao fim, 20 nomes foram escolhidos com mérito e legitimidade pelo qualificado corpo de jurados constituído pela revista. Merecem os parabéns. </p>

<p>O júri montou uma dentre as listas possíveis. E qualquer relação comportaria omissões. Simplesmente porque a nova cena literária brasileira, pela variedade temática e formal, não se esgota em duas dezenas de nomes. </p>

<p>A seleta da Granta é, portanto, um indicador em meio a vários outros, como os prêmios literários ou os eventos que se multiplicam cada vez mais ao longo do país. Na falta de um público leitor expressivo – este, sim, o nó da questão –, os jurados e as curadorias acabam fazendo o trabalho de mapeamento. Com inclusões e exclusões, segundo premissas próprias. Nada exatamente esdrúxulo.</p>

<p>No entanto, bastou a revista chegar às livrarias e teve início uma polêmica tão vazia quanto enfadonha. O debate estacionou na tola dicotomia que opõe o discurso ressentido a resenhas chapa branca. De um lado, críticas pesadas aos autores eleitos e a seus textos, quando não aos jurados, quase sempre sem o cuidado básico da leitura prévia – isso depois das regras aceitas e do jogo jogado. Do outro, análises generalistas para sustentar uma legitimação apressada da qualificação “os melhores”. </p>

<p>O essencial – a produção recolhida pela Granta – ficou até agora de fora da discussão. Não surpreende. O gosto pela maledicência é uma característica tão patente dos escritores quanto a paixão pela palavra. Em A vida literária no Brasil – 1900, Brito Broca já comentava as idiossincrasias desse pequeno e estranho universo. Stella Rimington, autora consagrada de romances policiais e ex-presidente do júri do Booker Prize, afirmou no ano passado: "Pensei que o mundo da inteligência era o lugar para a intriga. Mas isso foi antes de conhecer o mundo editorial". Ou seja, não há novidade alguma na recente fumaça. Que, entretanto, turva a visão, impedindo que se distinga o que é periférico e o que é central.</p>

<p>Bienais, festas, antologias são importantes para divulgar a obra de um autor, mas guardam uma relação esparsa com aquela centelha que o levou, um dia, a começar a escrever ficção. Se apagada essa fagulha, restará o acessório. E ficaremos todos, num diálogo de surdos, repetindo o verso único de Francisco Alvim no poema Luta literária, que virou o hit da atual querela: “Eu é que presto”.<br />
 <br />
* Marcelo Moutinho é escritor e foi um dos 247 concorrentes no concurso da Granta</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/07/dialogo_de_surdos.php</link>
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         <pubDate>Fri, 20 Jul 2012 12:31:51 -0300</pubDate>
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            <item>
         <title>Kid Morengueira x Beira-Mar</title>
         <description><![CDATA[<p>Segue o  texto que escrevi para a edição de junho da revista Bravo!, a partir do lançamento de duas caixas com 8 discos de Moreira da Silva:</p>

<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/MoreiradaSilvapaletbranco.jpg"><img alt="MoreiradaSilvapaletbranco.jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/MoreiradaSilvapaletbranco-thumb.jpg" width="265" height="354" /></a></p>

<p><strong>Kid Morengueira seria páreo para Fernandinho Beira-Mar?</strong></p>

<p><em>Reunidos em duas caixas, discos memoráveis de Moreira da Silva permitem confrontar a malandragem cantada pelo sambista nos anos 50 e 60 como narcotráfico que o funk carioca retrata atualmente</em></p>

<p>por Marcelo Moutinho</p>

<p>O show de Moreira da Silva cumpria o roteiro e se desenrolava sem grandes novidades no palco de um cine-teatro do Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, naquele ano de 1936. Até o momento em que ele começou a cantar o samba Jogo Proibido. Sem cerimônia, Moreira se desviou da letra de Tancredo Silva sobre o cotidiano de um típico malandro carioca e mandou, de improviso: “Eu meto ácido no nariz do otário/ O homem cai e diz: ‘Morengueira, eu vou morrer’”. Foi aplaudido de pé.</p>

<p>“O petróleo está aqui. Vou meter a sonda”, contou ele, muitos anos depois, em entrevista ao jornal O Pasquim. Justificava por quê, após um início de carreira dedicado a pontos de macumba e sambas-canções, decidiu direcionar de vez seu repertório ao samba-de-breque. Nesse subgênero sincopado do samba, em que o cantor encaixa comentários improvisados (e falados) entre as estrofes, Moreira acabaria se tornando mestre, como mostram os oito álbuns lançados pela Odeon entre 1958 e 1966, agora reeditados pela Discobertas. Divididos em duas caixas, os CDs reproduzem a capa original dos LPs e foram remasterizados com base nas matrizes da época, trazendo ainda faixas bônus lançadas apenas em singles.</p>

<p>Os discos incluem alguns dos maiores sucessos de Moreira, como Amigo Urso, Na Subida do Morro e Acertei no Milhar, e explicitam outra faceta importante de seu trabalho: a de cronista musical da cidade. Com humor, Moreira cantou personagens e cenários do Rio de Janeiro de seu tempo, inscrevendo-se em uma tradição que nasce já com as primeiras composições com letra. Do choro ao samba, das marchinhas à bossa nova, do rock ao funk, ao longo do século 20 a música espelhou e ajudou a formatar o imaginário carioca. O próprio cognome do Rio surge de uma canção. Tomando de empréstimo a expressão criada pelo escritor Coelho Neto, André Filho compôs, em 1934, a célebre marchinha que consagraria o apelido de Cidade Maravilhosa. Outra música, esta de Zé Kétti, sintetizaria a tal identidade carioca, estabelecendo o samba – “natural aqui, do Rio de Janeiro” – como seu essencial elemento.</p>

<p>Da mesma forma que o samba teceu odes ao morro, onde uma sinfonia de pardais “anunciava o amanhecer”, e a bossa nova saudou o mar, o sol e a zona sul, o rock dos anos 80 retratou a cidade pós-ditadura: um Rio moderno, descontraído, hedonista. Muito antes, as marchinhas haviam esquadrinhado personagens como a Chiquita Bacana e a Garota Monoquíni e traduzido, com escárnio, problemas como a falta de energia. “Rio de Janeiro/ Cidade que me seduz/ De dia falta água/ De noite falta luz”, cantavam as ruas no Carnaval de 1954.</p>

<p>Essa autoironia que distingue as marchinhas é característica, também, de muitos breques de Moreira da Silva. Em Cidade Lagoa, por exemplo, ao abordar o entrave crônico dos alagamentos, ele faz uma antiexaltação: “Que maravilha nossa linda Guanabara/ Tudo enguiça, tudo para/ Todo trânsito engarrafa/ Quem tiver pressa, seja velho ou seja moço/ Entre n’água até o pescoço/ E peça a Deus pra ser girafa”.</p>

<p>O tema principal do cantor foi, no entanto, o universo dos malandros, que descortinou retomando a figura consagrada por Wilson Batista e Noel Rosa nas décadas de 1930 e 40 e que seria repaginada por Chico Buarque no fim dos anos 70. O malandro era o protagonista da sociedade que Moreira observava: aquela “que povoa os morros, as delegacias, gente humilde, mas cheia de personalidade e bossa”, como observa o crítico Lúcio Rangel na apresentação de um dos discos relançados.</p>

<p>Moreira cantou as rodas de baralho (Jogando com o Capeta), a gafieira (Olha o Padilha), o jogo do bicho (Deu o Bode pra Polícia) e os pequenos golpes (Camelô na Cidade). Também catalogou gírias, como “batente” (trabalho), “Justa” (Justiça), “caroço” (bola de futebol), “granolina” (grana), “encruza” (encruzilhada) e “pau d’água” (bêbado).<br />
Apesar de abordar esses assuntos com intimidade, o cantor costumava se definir como um “malandro entre aspas”. Quando incorporava o personagem do Kid Morengueira, tão citado nas músicas, vestia terno de linho S-120, gravata, sapato bicolor e chapéu de palhinha. Mas, na vida pessoal, foi indivíduo pacato e marido de almanaque, casado por 54 anos com a mesma mulher (ele morreu aos 81, em 2000).</p>

<p>INFERNO NA CIDADE DE DEUS</p>

<p>O malandro cantado por Moreira remonta a um Rio em que a violência era quase folclórica. Estava longe, muito longe, da brutalidade opressiva que começou a se insinuar na metade da década de 1980 e que Chico Buarque resumiu em Estação Derradeira: “Rio de ladeiras/ Civilização encruzilhada/ Cada ribanceira é uma nação/ À sua maneira/ Com ladrão/ Lavadeiras, honra, tradição/ Fronteiras, munição pesada”. Isso embora a nostalgia do Rio “pacífico” já vazasse de sambas anteriores, como Saudades da Guanabara, no qual Paulo César Pinheiro, Moacyr Luz e Aldir Blanc lamentavam as mudanças que abriam “valas negras no coração da cidade”: “Chorei/ Com saudades da Guanabara/ Refulgindo de estrelas claras/ Longe dessa devastação”.</p>

<p>Retomando a questão em tom mais grave, o mesmo Paulo César Pinheiro apontou em 2004 a discrepância entre os poéticos nomes dos morros cariocas e sua atroz realidade: “Ninguém faz mais jura de amor no Juramento/ Ninguém vai-se embora do Morro do Adeus/ Prazer se acabou lá no Morro dos Prazeres/ E a vida é um inferno na Cidade de Deus”.</p>

<p>A música da cidade partida, no entanto, transcende gêneros. Bandas como O Rappa e Os Paralamas do Sucesso teceram conexões entre a periferia carioca e a de outros cantos do planeta nas canções Brixton, Bronx ou Baixada e Alagados – que estabelece relações entre as favelas de Alagados, em Salvador, e as deTrenchtown, na Jamaica, e da Maré, no Rio.</p>

<p>Paulatinamente, a Garota de Ipanema cedeu espaço à Garota Sangue Bom, que transa um “fervilhante pagodinho churrascante na noturna suburbana”, dos versos suingados de Fausto Fawcett e Fernanda Abreu. E as comunidades pobres ganharam novas vozes por intermédio de artistas locais devotados ao funk carioca. É o caso de Cidinho e Doca, autores do clássico contemporâneo que ecoa um desejo disseminado: “Eu só quero é ser feliz/ Andar tranquilamente na favela onde eu nasci”.</p>

<p>Oriunda de espectro social semelhante, a gafieira das canções de Moreira acabou substituída pelo baile. O malandro, pelo traficante. E, no lugar da navalha, entraram o fuzil e outros artefatos citados em músicas como o Rap das Armas, dos MCs Júnior e Leonardo: “Metralhadora AR-15 e muito oitão/ A Intratek com disposição/ Vem a super 12 de repetição/ E mais o quê?/ 45, que é um pistolão”.</p>

<p>Se Moreira saudou a baiana de olhos brejeiros que fritava bolinhos na Lapa e a “chave de cadeia” que pôs o terno do namorado no prego, o funk carioca nos apresenta a “novinha” em busca de sexo fácil (Que Isso, Novinha?) e a menina de classe média que “sobe o morro atrás de aventura” (Amor Bandido).<br />
Outros tipos, um novo olhar. Mas as interseções entre os dois universos fazem empalidecer as diferenças estéticas. A chapa esquentou, e o funk carioca talvez seja o estilo que melhor atualiza, hoje, os breques de Moreira da Silva.</p>

<p><em>Box: </em></p>

<p><strong>Descanso do malandro</strong></p>

<p>Conversa de Botequim, de 1966, destoa dos demais discos agrupados nas duas caixas de Moreira da Silva. No álbum, o artista deixa um pouco de lado o samba-de-breque que o consagrou e volta aos tempos de crooner, interpretando canções de Noel Rosa e Vadico, J. Cascata, Pedro Caetano e Billy Blanco, entre outros. Os arranjos minimalistas do maestro Nelsinho são valorizados pela clarineta de Sebastião Barros, o K-Ximbinho.</p>

<p>No texto de apresentação, o cronista Sérgio Porto elogia os clássicos do álbum, alfinetando a então emergente bossa nova: “São lídimos representantes da fase áurea do samba, quando a influência da música norte-americana ainda não atuava sobre ele a ponto de deturpá-lo e transformá-lo no produto híbrido da fase atual e para a qual bons discos como este são o melhor antídoto”.</p>

<p><em>Marcelo Moutinho é jornalista e escritor, autor, entre outros, do livro de contos A Palavra Ausente e organizador de Canções do Rio – A Cidade em Letra e Música.</em></p>]]></description>
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         <pubDate>Tue, 26 Jun 2012 11:30:46 -0300</pubDate>
      </item>
            <item>
         <title>Portugal Telecom</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/250942_391695434214640_2134220355_n.jpg"><img alt="250942_391695434214640_2134220355_n.jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/250942_391695434214640_2134220355_n-thumb.jpg" width="360" height="100" /></a></p>

<p>Saiu ontem à noite a lista de finalistas do Prêmio Portugal Telecom. Fiquei feliz ao ver que "A palavra ausente" está lá, na categoria contos/crônicas Confiram, <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2012/05/30/premio-portugal-telecom-divulga-lista-de-60-finalistas-448100.asp">aqui</a>, os demais finalistas.</p>]]></description>
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         <pubDate>Thu, 31 May 2012 11:55:59 -0300</pubDate>
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            <item>
         <title>Ficção científica brasileira</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/encontros_literarios.jpg"><img alt="encontros_literarios.jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/encontros_literarios-thumb.jpg" width="370" height="264" /></a></p>

<p>Fausto Fawccett e Braulio Tavares vão debater a "Ficção científica brasileira" nesta quarta, às 19h30, na Biblioteca Municipal de Botafogo. O papo, que será mediado pelo crítico e escritor Flávio Carneiro, faz parte da série Encontros Literários. A entrada é gratuita e a biblioteca fica na Rua Farani, 53.</p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/05/ficcao_cientifica_brasileira.php</link>
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         <pubDate>Tue, 29 May 2012 17:00:15 -0300</pubDate>
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         <title>O Império tocou reunir</title>
         <description><![CDATA[<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/ancelmo.jpg"><img alt="ancelmo.jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/ancelmo-thumb.jpg" width="370" height="538" /></a></p>]]></description>
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         <pubDate>Wed, 23 May 2012 11:36:59 -0300</pubDate>
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            <item>
         <title>Desde que o samba é samba</title>
         <description><![CDATA[<p>O Prosa & Verso (O Globo) publicou, no último sábado, minha resenha sobre "Desde que o samba é samba", o esperado segundo romance de Paulo Lins. Promissor, o livro decepciona. Segue a íntegra do texto.</p>

<p><a href="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/Capa-do-livro-Desde-que-o-Samba-E-Samba-segundo-romance-de-Paulo-Lins-Cidade-de-Deus--original.jpg"><img alt="Capa-do-livro-Desde-que-o-Samba-E-Samba-segundo-romance-de-Paulo-Lins-Cidade-de-Deus--original.jpg" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/Capa-do-livro-Desde-que-o-Samba-E-Samba-segundo-romance-de-Paulo-Lins-Cidade-de-Deus--original-thumb.jpg" width="260" height="382" /></a></p>

<p><strong>Samba de compasso artificial</strong></p>

<p><em>Marcelo Moutinho*</em></p>

<p>Na produção um tanto ensimesmada da literatura brasileira contemporânea, é alentador quando surgem livros de ficção que não trazem escritores como personagens, tampouco se limitam a instituir um “diálogo” com alguma obra canônica. Pausa para respirar em meio à profusão de intertextualidades, jogos internos, citações. </p>

<p>Mais raro ainda é quando o romance, ou a seleta de contos, aborda aqueles temas que, apesar de profundamente entranhados no imaginário brasileiro, costumam ser ignorados pela ficção. “Desde que o samba é samba”, o novo trabalho de Paulo Lins, configura, portanto, uma exceção no atual quadro. Mas o livro decepciona. </p>

<p>A expectativa pelo segundo romance de Lins era justificada: a estreia na prosa, em 1997, deu-se com o furacão “Cidade de Deus”, que pulou das listas de mais vendidos para as telas de cinema sob a batuta de Fernando Meirelles, ganhando quatro indicações ao Oscar e levando milhares de pessoas às salas de projeção. Publicado 15 anos depois, “Desde que o samba é samba” muda de época e de cenário. O enredo desenrola-se no bairro carioca do Estácio entre 1928 e 1931, momento efervescente que conjugou a formatação do samba urbano, a criação da primeira escola de samba e o aparecimento dos terreiros de umbanda. </p>

<p>Para isso, Lins retroage até a chamada Pequena África. Nessa área da Cidade Nova, onde muitos escravos foram morar após a Abolição, músicos como Donga e João da Baiana fizeram florescer as primeiras sementes de um samba ainda com feições de maxixe. O autor demonstra como a turma do Estácio transformou o modo de tocar, carregando no batuque e na cadência, e possibilitou os desfiles. Nascia, então, o “samba de sambar” da feliz expressão de Humberto M. Franceschi. </p>

<p>Lins expõe também o tratamento desconfiado, quando não francamente repressor, que o Estado dispensava às manifestações oriundas da África, fosse música ou religião. Narra, em detalhes, a fundação da primeira tenda de umbanda do Brasil, em São Gonçalo. E o encontro de escritores modernistas como Mário de Andrade e Manuel Bandeira com os sambistas cariocas. </p>

<p>Malandros, cafetões e prostitutas, todos afeitos à boêmia, habitam esse universo. Amparado em extensa pesquisa, o autor inspira-se em pessoas que de fato existiram para contar a história. Silva e Tia Almeida, por exemplo, trazem evidentes traços de Ismael Silva e Tia Ciata. Em alguns casos, como os dos compositores Brancura (Sílvio Fernandes), Bide e Baiaco, os nomes são mantidos. A fumaça que turva as fronteiras entre realidade e invenção termina por suscitar um erro na bibliografia informada no fim do livro: Tia Almeida toma o lugar de Ciata no título de um célebre estudo de Roberto Moura. </p>

<p>Ao leitor é dado perceber que, mais do que contar a vida de qualquer um desses personagens, Lins quer é reproduzir com liberdades ficcionais o cotidiano daquele tempo e lugar. Remexer o rico caldo de cultura que engrossou ali. </p>

<p>Entre intenção e produto final, porém, abre-se um fosso. E o problema principal é o artificialismo dos diálogos e da própria narrativa. Não são poucas as passagens em que a trama cede espaço a explicações didáticas e a pesquisa irrompe em meio ao drama de modo ríspido, despotencializando-o. Essa cisão, embora em menor grau, já havia ocorrido em outro romance recente que elegeu o samba como objeto: “Mandingas da mulata velha na Cidade Nova”, de Nei Lopes. </p>

<p>Outra fragilidade localiza-se nos extratos em que a prosa de Lins, marcadamente dura, tenta enveredar pelo lirismo. O resultado quase sempre é palavroso e açucarado, como mostra o trecho a seguir: “As palavras são poucas quando se quer ser sucinto no expressar dos sentimentos. Agulha no palheiro. O óbvio pede sempre muito tempo para se realizar em poesia”. Por fim, a conhecida dificuldade de descrever relações sexuais em texto literário agrava-se pela recorrência das cenas, que, se é natural em uma história transcorrida na zona do meretrício, acaba redundando em diluição. </p>

<p>São essas questões — muito mais do que a polêmica em torno da suposta homossexualidade de Ismael Silva, afirmada no livro — que esfacelam, na realização, a promissora ideia de Lins.</p>

<p><em>* Marcelo Moutinho é escritor e jornalista, autor de “A palavra ausente” (Rocco)</em></p>]]></description>
         <link>http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2012/05/desde_que_o_samba_e_samba.php</link>
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         <pubDate>Mon, 21 May 2012 14:33:24 -0300</pubDate>
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