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O Maracanã que fica Escrito em 26 de agosto de 2010
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O talento e a sensibilidade de Luiz Antonio Simas, muitas vezes ressaltados aqui, resplandecem novamente no texto "O Maracanã que mora em mim", que ele acaba de publicar em seu referencial blog Histórias brasileiras. Na esteira de mais uma reforma do histórico estádio (para quem não sabe, entre outras mudanças, o campo será reduzido), Simas lamenta o que chama de "profanação do sagrado" e, a partir de um maiores dos símbolos cariocas, evoca imagens de uma cidade que conserva a memória em suas ruas e construções. Um valor intangível, estranho à contínua exigência de mudança que a modernidade impôs. Segue um trecho do post. Leia a íntegra aqui.

(...) Existem lugares de esquecimento, territórios do efêmero - penso nos shoppings - e lugares de memória, territórios de permanência. Esses últimos são espaços que, sacralizados pelos homens em suas geografias de ritos, antecedem a sua própria criação e parecem estar aí desde a véspera da primeira manhã do mundo.

O meu Maracanã é assim. É feito a Penha, a Pedra e o Cais. Nasceu estádio de futebol antes do rio que lhe nomeia; é carioca antes de Estácio de Sá; é de um tempo anterior ao tempo e foi erguido perto da minha casa antes que a primeira flecha tupinambá cortasse o céu da Guanabara.

O meu Maracanã, velho Maraca não reformado, é o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, onde Jeremias e Daniel bailam no ar como Zizinho e Didi bailaram nas quatro linhas. É o terreiro do Axé Opô Afonjá, onde Xangô dançou pelo corpo de Mãe Aninha como Ademir, feito raio, rasgou o campo em direção ao gol. O Maraca é a primeira ponte do rio Capibaribe e todas as pontes de São Castilho. O meu estádio é a ciranda de Lia e a areia da praia onde Lia dançou ciranda, pois ali, na grama verde, um anjo de pernas tortas cirandou um dia.

Coisas de matéria e sonho. (...)

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