
Reinaldo Moraes, Beatriz Bracher e Ronaldo Correia de Brito falam sobre seu processo de criação e a relação entre vida e obra
Três vertentes da literatura brasileira – os romances urbano, intimista e “do sertão”, para usar palavras da mediadora, Cristiane Costa – estiveram representadas na mesa “Fábulas contemporâneas”, realizada na tarde desta quinta-feira (5). Reinaldo Moraes, Beatriz Bracher e Ronaldo Correia de Brito, todos premiados por livros recentes, leram seus textos e falaram com bom humor sobre o processo de criação e a relação entre obra e biografia, entre outros assuntos.
Ronaldo expôs ao público um trecho do recém-lançado “Retratos imorais”, enquanto Beatriz apresentou o conto que escreveu por encomenda para a revista “Serrote”, com inspiração em uma imagem da fotógrafa Hildegard Rosenthal. Já Reinaldo provocou muitas gargalhadas ao relatar a “suruba tântrica” que é um dos destaques do romance “Pornopopéia”.
Quando indagados por Cristiane sobre o método de escrita, os três apontaram caminhos distintos. Ronaldo salientou que “escrever não é uma atividade diletante, mas um ofício diário e permanente”, revelando que parte sempre de um projeto. Beatriz, por sua vez, disse que prescinde de uma rota prévia: “A direção se define a partir da briga que temos com nós mesmos à medida que escrevemos”. Para Reinaldo, é preciso antes de tudo manter distância dos autores aos quais reverenciamos. “Quem se mete a escrever como Guimarães Rosa crua forçosamente uma porcaria. Busco as vozes que vão se plasmando e vazam na linguagem”, resumiu ele.
Ao responder sobre a tensão vida x obra, os três autores mostraram sintonia. Reinaldo relembrou a época em que lançou seu primeiro trabalho – o romance “Tanto faz”. “Todos achavam que o protagonista era eu. E meu personagem se divertia muito mais. Quem dera ter uma vida daquelas”, brincou ele, admitindo no entanto que algo da experiência pessoal acaba impresso nas páginas de seus livros. A exemplo dele, Ronaldo e Beatriz revelaram que seus textos estão impregnados das próprias vivências. “O mais verdadeiro de você mesmo é o que você escreve na ficção”, sintetizou ela.
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