
Recém-chegado de Paraty, reproduzo aqui as máterias que fiz para o site oficial da Flip 2010. Acho que dão uma boa ideia dos debates que aconteceram por lá. O primeiro texto é sobre o show de abertura
Show de abertura une o erudito ao popular
Edu Lobo, Renata Rosa, Marcelo Jeneci e Quarto de Cordas da Osesp dão as boas-vindas musicais ao público da Flip
O show de abertura da Flip 2010 lembrou o homenageado Gilberto Freyre ao saudar o “equilíbrio de opostos” – expressão cara ao sociólogo - no âmbito da música brasileira. Em uma formação que unia o popular ao erudito, e sob a direção artística do maestro Arthur Nestrovski, Edu Lobo, Renata Rosa, Marcelo Jeneci e o Quarteto de Cordas da Academia da Osesp interpretaram clássicos (“Assum preto”, “Noite de São João”, de Luiz Gonzaga), recordaram sucessos (“Beatriz”, “Choro bandido” de Edu e Chico Buarque) e mostraram ao público novas canções, como a parceria entre Renata e o escritor Ariano Suassuna (“Marcha do Donzel”).
A cantora foi a primeira a se apresentar, logo após a saudação de Liz Calder e as boas-vindas do prefeito de Paraty, José Carlos Porto Neto. Paulista radicada em Olinda (PE), Renata centrou o repertório em ritmos nordestinos e músicas da própria lavra. Em dueto, ela e Edu prestaram tributo ao também pernambucano Moacyr Santos, com “Santinha lá da Serra”. Na sequência, o cantor e compositor enfileirou uma série de pérolas escritas a quatro mãos com Chico Buarque.
Uma delas gerada de forma curiosa, como Edu revelou à plateia da Flip: “Chico estava na Europa e eu lhe enviara uma fita com a melodia que deveria ganhar letra para a trilha da peça na qual trabalhávamos. Ele, então, me telefonou dizendo que tinha gostado das duas. Duas?, eu perguntei. E depois entendi: uma melodia de que não gostava, da qual havia desistido de vez, que queria na verdade apagar, acabou ficando gravada na fita”. Chico, de fato, fez a letra. E a canção, “Ode aos ratos”, entrou na trilha de “Cambaio”.
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