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Flip 2010 - “Quadrilha” poética Escrito em 09 de agosto de 2010
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Antonio Cicero, Chacal, Eucanaã Ferraz e Ferreira Gullar leem versos de Drummond para lembrar 80 anos do livro “Alguma poesia”

Os 80 anos de “Alguma poesia”, obra de estreia de Carlos Drummond de Andrade, foram lembrados na mesa que reuniu os poetas Antonio Cicero, Chacal, Eucanaã Ferraz e Ferreira Gullar na tarde deste sábado (7). Em leituras individuais e feitas de forma sóbria, os escritores mostraram ao público vários poemas do livro, entre eles textos célebres como os de “No meio do caminho”, “Coração numeroso” e “Silvo longo”. Quando chegou a vez de “Quadrilha”, os quatros declamaram em grupo.

Houve espaço também para pequenos depoimentos sobre Drummond. Cicero destacou que se trata de um dos maiores poetas do mundo, “que orgulha a Língua Portuguesa e o Brasil”. “É muito bom ter vivido na mesma época de Drummond, assim como é muito bom viver na mesma época de Ferreira Gullar”, afirmou ele, para aplausos da plateia. Gullar agradeceu com um leve meneio com a cabeça e respondeu, tímido: “Eu não posso aplaudir isso”.

Chacal foi outro que aproveitou o tributo para estender a homenagem ao escritor maranhense – Gullar completará 80 anos no próximo dia 12 de setembro. Ao ressaltar que, por conta da contracultura, demorou quatro décadas para encontrar a poesia de Drummond, ele revelou ter sido uma surpresa perceber como “aqueles poemas eram bons de se falar”. “Me encantei com os sons misteriosos que vinham de ‘algum lugar’, como o livro do Gullar. Se rimou, deixa rimar”, versou.

Coordenador da mesa, Eucanaã chamou atenção para a contemporaneidade da obra do poeta mineiro. “Toda a poesia dele é surpreendentemente atual. Mesmo referências que hoje podem parecer enigmáticas, como a alusão a políticos da época, não fazem com que se perca o essencial”, observou.

Gullar salientou que Drummond foi o primeiro poeta modernista que leu na vida. “Eu era parnasiano, gostava de versos rimados sobre temas metafísicos, sobre coisas sublimes. Aí me deparei com poemas como “Lua diurética”. ‘Diurética?’, pensei. Isso não é poesia. Mas depois vi que era, sim. Uma poesia nova, que partia do cotidiano”, contou ele. Para Gullar, Drummond ensinou que há beleza mesmo nas coisas sórdidas.

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