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Flip 2010 - Da “Enciclopédia” ao Kindle Escrito em 09 de agosto de 2010
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Peter Burke e Robert Darnton fazem um passeio pela história do livro e prognósticos para o futuro

Da “Enciclopédia”, de Diderot e D’Alembert, ao Kindle, leitor digital da Amazon, passando pelos romances eróticos do século 18, os historiadores Peter Burke e Robert Darnton travaram na noite desta quinta-feira (5) uma erudita e divertida discussão sobre o percurso do livro ao longo dos tempos, mediada por Lilian Schwarcz. Ao olhar para o presente e suas aceleradíssimas mudanças, sobraram elogios para a Wikipedia e reservas quanto ao uso dos leitores digitais.

“Entramos em uma fase absolutamente nova com a Wikipedia. A variedade de colaboradores é muito maior do que nas enciclopédias impressas. Qualquer pessoa pode escrever um artigo. Além disso, é possível a atualização constante, seja por conta de um novo evento, seja para consertar algum erro”, afirmou Burke. Outro ponto positivo, destacou, é a advertência para que não se confie totalmente no conteúdo. “Trata-se de um importante alerta no sentido de que o leitor seja crítico do que lê”.

Também se dizendo fã da Wikipedia, Darnton não mostrou o mesmo entusiasmo quando o assunto são os leitores digitais. “Não leio livros em máquinas. Respeito aqueles que lêem, mas gosto de folhear, passar as páginas. Nosso desafio, hoje, é encontrar uma maneira de que os livros impressos e virtuais convivam, e reforcem um ao outro”, salientou.

Para Burke, o papel do livro – seja impresso ou virtual – diminuirá de forma progressiva, com a redução de sua importância perante outros meios e um “enxugamento, este literal”, que vai gerar narrativas mais curtas. “Não imagino alguém lendo as mil páginas de ‘Guerra e Paz’ no Kindle”, exemplificou. “Semi-pessimista”, como ele mesmo se classificou, Burke revelou o temor de que as gerações futuras percam a capacidade de ler lentamente. “E a leitura lenta, assim como a cozinha lenta, é importante para a civilização”, concluiu, sob aplausos do público.

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