
Símbolos e estereótipos brasileiros são comentados pelos tradutores Benjamin Moser e Bertold Zilly, que criticam promoção do país no exterior
Em uma conversa que foi da caipirinha ao samba, de Paulo Coelho a Guimarães Rosa, Benjamin Moser e Bertold Zilly falaram, na noite deste domingo (8), sobre a visão do estrangeiro quanto ao Brasil, em mesa mediada pelo jornalista Claudiney Ferreira. Tradutores de obras de autores brasileiros, Moser e Zilly mostraram sintonia ao criticar a insuficiente atuação do governo na promoção do país no exterior.
“A Alemanha mantém o Instituto Goethe; Portugal, o Camões; a Inglaterra, o British Institute. O Brasil não conta com uma entidade dessa natureza”, lamentou Zilly. Ele citou o caso da Catalunha, província espanhola, “que investe dez vezes mais do que o Brasil” para disseminar sua cultura entre os outros povos.
Segundo Zilly, há um enorme interesse nas coisas brasileiras em todo o mundo. Como exemplo disso, ele mostrou o cartaz que anunciava uma montagem alemã de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. “Na última aldeia da Floresta Negra você encontra capirinha”, observou, propondo que o Brasil faça um trabalho institucional de imagem com caráter duradouro, e não campanhas eventuais.
Moser argumentou que é preciso desfazer a imagem do país como um lugar distante e violento. “Todas as pessoas que trago ao Brasil ficam encantadas. Começa para Praia de Ipanema e vai até Clarice Lispector, Guimarães Rosa. Então percebem que a impressão inicial era equivocada”, salientou.
O tradutor americano – que é autor da biografia “Clarice,” – provocou muxoxos na plateia ao mencionar o nome de Paulo Coelho, a quem defendeu: “Trata-se do segundo escritor mais lido do planeta. Os brasileiros não deveriam se envergonhar dele. Imagine se eu tivesse vergonha de toda a merda cultural que meu país exporta”. Para Moser, é errônea também a ideia de que o brasileiro não lê, usando como exemplo a própria Flip. “Vinte mil pessoas vieram a Paraty ouvir debates sobre literatura. Seriam todos noruegueses?”, indagou.
A relação com a Língua Portuguesa também foi comentada pelos dois, que apresentaram ótimo domínio do idioma. Moser revelou ter aprendido facilmente o Português por dominar desde criança o Espanhol, já que morava no Sul dos EUA, próximo à fronteira com o México. Já Zilly afirmou ter uma ligação “erótica” com a Língua Portuguesa. “Não é à toa. Ela te dá carinho”, disse ele.
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