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A estrela fria
Escrito em 09 de julho de 2010

"I
O verão era permanente
Tanto fazia: alegria e dor
tinham
o calor do meio-dia.
II
De primeiro, era o
sol
que 'em Pernambuco leva dois sóis'
e aterrissa de chofre
sobre a palha da cana
sobre a cabroeira do eito,
imundas,
ao arrepio da carícia
das geladeiras,
ao largos de azulejos
azuis.
Depois
é trinado de canção
no salão do barbeiro
suor do descamisado
campinado
o descampado.
Não há crepúsculo
mas o rangido do sol a pino
varrendo a sombra
e a árvore:
quintal pelado.
De longe,
a infância queima:
ela é a luz de uma estrela fria"
Trecho inicial do poema "A estrela fria", que abre o livro homônimo de José Almino, recém-lançado pela Companhia das Letras
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