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# Pinceladas literárias (e o texto da Flora) Escrito em 26 de abril de 2010
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. De volta do pequeno périplo ibérico, trouxe na bagagem vários livros de novos poetas e prosadores lusos. Como disse lá no Twitter, a impressão é que, de forma geral, a literatura que está sendo produzida pelos jovens escritores portugueses tem mais densidade do que temos feito por aqui. Seja nos temas, seja no próprio tratamento, os textos me parecem mais maduros. Em suma: joga-se menos para a arquibancada, para usar um jargão do futebol. Refiro-me, aqui, a escritores como José Luís Peixoto, Jorge Reis-Sá, Valter Hugo Mãe e João Tordo, entre outros;

. Por falar em novos autores, vem aí uma antologia organizada de contos pela Victoria Saramago, que vai inaugurar a Editora Flanêur. Os participantes do livro, entre eles Nelson de Oliveira, Manoela Sawtizki, Henrique Rodrigues, Adriana Lisboa e Lucia Bettencourt, tiveram como desafio transformar escritores estangeiros (e já falecidos) em personagens de seus contos. Minha personagem é Sophia de Mello Breyner Andresen;

. Hoje, às 16h30, a Suzana Vargas vai relançar, na Biblioteca Nacional, o livro Leitura: uma aprendizagem de prazer (José Olýmío Editora). O evento incluirá uma mesa redonda, com Joel Rufino dos Santos, Ninfa Parreiras, Luiz Raul Machado e Maria Helena Lemgruber, além da própria Suzana, sobre o tema do livro. A Biblioteca Nacional fica na Av. Rio Branco, 19 - Centro;

. Queria comentar com a devida calma o artigo da professora Flora Sussekind, que o suplemento Prosa & Verso (O Globo) publicou no sábado passado, mas o fachamento do jornal me impede. Em linhas gerais, embora subscreva algumas das afirmações contidas no texto, como a observação sobre o descompasso entre a exposição midiática e a absoluta falta de repercussão da produção literária fora do círculo especializado, discordo da maior parte do artigo;

. O cerne do texto da professora é o questionamento do modelo "tradicional' da crítica, que ela personifica em Wilson Martins e classifica de "conservador". Flora, no entanto, encara as novas formas de crítica - e cito o modelo da "resenha" - com olhos que poderíamos perfeitamente qualificar, do mesmo modo, como "conservadores", na perspectiva em que o termo é apresentado pela própria autora.

. Além disso, o artigo trata da irrelevância cultural da crítica como um traço específico da literatura. A meu ver, este é um fenômeno global, estende-se também a outras searas, como a do cinema e a do teatro, só para ficarmos com dois exemplos. A diferença é que, nesses campos, há ainda uma presença forte (e, consequentemente, balizadora) do público. E aí chegamos a meu ponto: mais relevante do que a suposta crise da crítica literária é a crise da falta do leitor. Do leitor não especializado, que não vê o livro de ficção como objeto de análise, de discussão estética ou teórica, mas como fonte de deleite, refúgio, desconcerto, mudança. Sobre ele, o "leitor comum", nenhuma palavra.

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