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Cineclube Moviola Escrito em 30 de abril de 2010
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A Moviola, delicioso espaço em Laranjeiras que mistura locadora, livraria e bistrô, realizará hoje a sessão inaugural de seu cineclube. A iniciativa é o resultado de uma parceria entre livraria e a revista virtual de mesmo nome, voltada para a crítica de cinema.

A projeção está marcada para 20h, e haverá promoção com cerveja dupla até às 21h (para quem não conhece o lugar, adianto que a carta de artesanais e de importadas é de primeira). Serão exibidos, com entrada gratuita, os curtas Estela, de Aristeu Araújo; Pressa, de Thais Grechi; e Noite de serão, de Fernando Secco. Os três realizadores são do curso de cinema da UFF.

Além disso, a Moviola vai promover, de 4 a 25 de maio, uma oficina de criação literária com os professores Alexandre Faria e Oswaldo Martins. Serão, ao todo, quatro encontros, sempre às terças-feiras, das 18h às 20h. O valor ds inscrição é R$ 200.

A livraria fica na Rua das Laranjeiras, 280 - Lojas B e C. Mais informações sobre o cineclube e a oficina podem ser obtidas aqui.

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Cinco Escrito em 29 de abril de 2010
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MixLit Escrito em 27 de abril de 2010
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Jovem escritor de talento, ex-aluno de minha oficina de contos na Estação das Letras, o Leonardo Villa-Forte lançou um blog originalíssimo. No MixLit, ele faz uma espécie de "remix literário", selecionando trechos de diferentes escritores - de iniciantes a nomes consagrados - e combinando-os num novo texto, de forma coerente e interessante.

Em um dos textos criados a partir dessas misturas, Leonardo utilizou um parágrafo do conto Da profundeza do azul, que faz parte de meu livro Somos todos iguais nesta noite. E minhas palavras estão em ótima companhia: Robert Louis Stevenson, Tom Wolfe, Sérgio Sant'Anna, Jorge Amado, Ilalo Calvino e Jim Dodge.

Também já tiveram seus textos remixados autores como Adriana Lisboa, Clarice Lispector, Scott Fitzgerald, Fiódor Dostoievski, Franz Kafka, Mário de Andrade, J.M. Coetzee e Roberto Bolãno. Vale conferir as (re)construções feitas pelo Leo, que atualiza o blog semanalmente. Leia aqui.

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# Pinceladas literárias (e o texto da Flora) Escrito em 26 de abril de 2010
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. De volta do pequeno périplo ibérico, trouxe na bagagem vários livros de novos poetas e prosadores lusos. Como disse lá no Twitter, a impressão é que, de forma geral, a literatura que está sendo produzida pelos jovens escritores portugueses tem mais densidade do que temos feito por aqui. Seja nos temas, seja no próprio tratamento, os textos me parecem mais maduros. Em suma: joga-se menos para a arquibancada, para usar um jargão do futebol. Refiro-me, aqui, a escritores como José Luís Peixoto, Jorge Reis-Sá, Valter Hugo Mãe e João Tordo, entre outros;

. Por falar em novos autores, vem aí uma antologia organizada de contos pela Victoria Saramago, que vai inaugurar a Editora Flanêur. Os participantes do livro, entre eles Nelson de Oliveira, Manoela Sawtizki, Henrique Rodrigues, Adriana Lisboa e Lucia Bettencourt, tiveram como desafio transformar escritores estangeiros (e já falecidos) em personagens de seus contos. Minha personagem é Sophia de Mello Breyner Andresen;

. Hoje, às 16h30, a Suzana Vargas vai relançar, na Biblioteca Nacional, o livro Leitura: uma aprendizagem de prazer (José Olýmío Editora). O evento incluirá uma mesa redonda, com Joel Rufino dos Santos, Ninfa Parreiras, Luiz Raul Machado e Maria Helena Lemgruber, além da própria Suzana, sobre o tema do livro. A Biblioteca Nacional fica na Av. Rio Branco, 19 - Centro;

. Queria comentar com a devida calma o artigo da professora Flora Sussekind, que o suplemento Prosa & Verso (O Globo) publicou no sábado passado, mas o fachamento do jornal me impede. Em linhas gerais, embora subscreva algumas das afirmações contidas no texto, como a observação sobre o descompasso entre a exposição midiática e a absoluta falta de repercussão da produção literária fora do círculo especializado, discordo da maior parte do artigo;

. O cerne do texto da professora é o questionamento do modelo "tradicional' da crítica, que ela personifica em Wilson Martins e classifica de "conservador". Flora, no entanto, encara as novas formas de crítica - e cito o modelo da "resenha" - com olhos que poderíamos perfeitamente qualificar, do mesmo modo, como "conservadores", na perspectiva em que o termo é apresentado pela própria autora.

. Além disso, o artigo trata da irrelevância cultural da crítica como um traço específico da literatura. A meu ver, este é um fenômeno global, estende-se também a outras searas, como a do cinema e a do teatro, só para ficarmos com dois exemplos. A diferença é que, nesses campos, há ainda uma presença forte (e, consequentemente, balizadora) do público. E aí chegamos a meu ponto: mais relevante do que a suposta crise da crítica literária é a crise da falta do leitor. Do leitor não especializado, que não vê o livro de ficção como objeto de análise, de discussão estética ou teórica, mas como fonte de deleite, refúgio, desconcerto, mudança. Sobre ele, o "leitor comum", nenhuma palavra.

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Alameda Santos Escrito em 24 de abril de 2010
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A Ilustrada (Folha de S. Paulo) publicou hoje resenha que escrevi sobre o romance "Alameda Santos", de Ivana Arruda Leite. Segue o texto na íntegra:

Romance autobiográfico revisita dor e delícia dos 80

Marcelo Moutinho*

Ivana Arruda Leite não cabe no escaninho redutor da “literatura feminina”. Suas narrativas, embora quase sempre protagonizadas por mulheres, recusam o registro delicado e sentimental, nada têm da névoa cor-de-rosa que paira sobre a chamada chick lit. Sejam coletâneas de contos como "Ao homem que não me quis" ou romances como "Hotel Novo Mundo", os livros de Ivana trazem uma figura feminina emancipada, livre, dona de si. Sexo frágil, sim, mas que não foge à luta.

"Alameda Santos" reitera essa marca. A trama é singela: na semana entre o Natal e o reveillón, uma mulher com pouco mais de 30 anos senta-se diante do gravador e, à medida que esvazia garrafas de vinho ou uísque, relata os principais fatos de sua vida na temporada que passou. O rito se repete entre 1984 e 1992. Já no enredo fica claro que, a exemplo de livros anteriores, o combustível da narrativa são os conflitos existenciais da protagonista. No romance recém-lançado, porém, a conjuntura brasileira aparece quase como uma segunda personagem.

O cenário cultural e político já se fazia presente em "Eu te darei o céu" (2004), no qual Ivana redesenha os anos 60. Em "Alameda Santos", contudo, a conexão entre o drama individual e o contexto histórico é mais sensível, matizado. À instabilidade emocional da personagem correspondem os sobressaltos do país numa época de intensas mudanças.

Inflação, movimento pelas Diretas, morte de Tancredo, popularização do BRock, desastre em Chernobyl, medo da Aids, impeachment de Collor, tudo isso é comentado nas gravações, enquanto a narradora dá o testemunho de alegrias e, sobretudo, dores eminentemente pessoais. Divorciada, infeliz com o emprego, envolvida com um homem casado e bissexual, sua insatisfação nunca encontra abrigo. “A vida não é uma punheta. Não há como achar graça em mim o tempo todo”, ela diz.

O texto é pouco adjetivado, mais tributário do conteúdo que da forma e consegue reproduzir com êxito a informalidade da linguagem oral. Em alguns momentos, entretanto, a lembrança da narradora parece remota demais para quem viveu os episódios relatados apenas alguns meses antes. É como se a reminiscência fosse de Ivana, não da heroína, numa pequena quebra do pacto ficcional entre autor e leitor. E não são poucas as correlações biográficas. A protagonista foi funcionária da Caixa Econômica Federal, estudou Sociologia, morou na Alameda Santos, separou-se e tem uma filha, assim como Ivana, que também fazia gravações com relatos particulares.

Realidade ou fantasia, importa é o que as fitas sugerem: a tentativa, por parte da personagem, de decodificar suas experiências, organizar a turbulência íntima, dando um molde, ainda que tênue, ao caos interno. Uma busca incessante, não raro frustrada, e que talvez seja a de todo escritor em sua eterna peleja com as palavras.

* Escritor e jornalista. Autor de "Somos todos iguais nesta noite" (Rocco)

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Lisboa, Porto, Madeira, Barcelona Escrito em 05 de abril de 2010
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Sigo, hoje mais tarde, para Lisboa. O blog volta a ser atualizado no dia 20 de abril.

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