
Retomando seu blog em altíssimo estilo, Paulo Roberto Pires publicou hoje um delicioso texto sobre os escritores e seus túmulos. O gancho é o recém-lançado Tumbas, de Cees Nooteboom, um passeio pelos túmulos de poetas, prosadores e filósofos de todo o planeta. Assim como Nooteboom, Paulo tem um confessado fascínio pelo assunto - ele diz que já chegou a desviar roteiro de férias para visitar cemitérios. Segue um trecho do texto. Leia a íntegra aqui.
"Uma mulher e dois homens, os três estrangeiros e comunicando-se mal em português, chegam à administração do São João Batista, o gigantesco cemitério incrustado no meio de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Procuram o túmulo de um certo Machado de Assis.
Só tendo o primeiro nome – informa o prestativo funcionário.
Mas o senhor não conhece o grande escritor? Não é fácil saber onde está?– arrisca o mais fluente.
Só pelo primeiro nome. Tem muita gente que se chama assim, nosso registro é baseado nos primeiros nomes – diz ele, revirando os livros de registro manuscritos
A mulher, fotógrafa, vê a possibilidade de um bom flagrante. Mas no primeiro clique, é repreendida pelo funcionário:
- Aqui não pode tirar foto não senhora. E também não pode tirar foto no cemitério.
É mais ou menos assim – dei à tradução uma “cor local” não difícil de imaginar – que começa “Tumbas”, fascinante viagem de Cees Nooteboom e sua mulher, Simone Sassen, pelos túmulos de escritores e filósofos em todo o mundo (...)"
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