
Na próxima quarta, o amigo Eduardo Carvalho vai lançar seu primeiro livro. Samba, boemia e vagabundos, que sai pela editora Multifoco, reúne textos que ele publicou nos últimos anos em seu blog - referência para quem gosta de samba e das coisas do Rio. Como afirma Fernando Molica na orelha, "Eduardo Carvalho nos revela detalhes desta paixão, esmiúça o tanto que existe em torno de uma roda de samba: o talento dos músicos e compositores, o respeito pelos que vieram antes, o carinho pelos amigos – eles, com quem dividimos sonhos, tristezas e esperanças. Afinal, como ele mesmo diz, o samba “conforta, ensina, marca, amolece a dureza de tudo”. Samba que nos salva “das pequenezas do nosso dia-a-dia sem arte”.
César Tartaglia acrescenta, no prefácio, que Eduardo Carvalho "é daqueles sujeitos que vivem passando o Rio a limpo". "É obsessivo – no que esta palavra encerra de positivo para descrever a atitude daquelas pessoas que vão até o fim naquilo em que acreditam – na vontade de depurar a cidade de seus males", observa Tartaglia. O lançamento acontecerá na própria sede da Multifoco (Rua Mem de Sá, 126 - Lapa) ,a partir das 19h. E, para que vocês possam sentir um gostinho do que o livro traz, publico a seguir trechos de uma das crônicas.
"Adeus, meu Samba Clube"
Eduardo Carvalho
"Voltemos rapidinho no tempo. Em maio de 1979, João Nogueira fundou, no Méier do seu coração, o Clube do Samba. Como não conseguiu outro lugar, o grande João (“Nascido no subúrbio nos melhores dias / Com votos da família de vida feliz”) instalou o clube em casa mesmo, no número 50 da Rua José Veríssimo. E começava mais um belo capítulo do samba, ligando-o a quintal, bebida, comida, reunião de gente bamba, festa.
Entre os sempre presentes, além dos muitos anônimos que batiam ponto naqueles sábados, estavam sambistas como Martinho da Vila, Roberto Ribeiro, Clara Nunes, Nei Lopes, Aniceto do Império e vários outros. Daí o Clube do Samba virou bloco (que existe até hoje), viu a sede mudar algumas vezes de lugar e acabou indo pra Barra da Tijuca, onde durou até 88.
Isso é pra dizer que eu, que não nasci no subúrbio (nem nos melhores dias), também tive o meu Clube do Samba. E que esta semana me despedi dele, o Renascença – ninguém sabe, mas ele é meu –, dando fim a um período bonito e importante da minha vida pessoal, no que ela tem de ligação visceral com o samba. Pela última vez, fui ao Samba do Trabalhador (...)"
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