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Eu, cansado e ainda feliz, ao fim do desfile
Vou me abster de fazer maiores comentários sobre o resultado do carnaval porque me falta ânimo. Quem costuma ler o Pentimento já sabe o quão pernicioso julgo ser o absoluto domínio dos carnavalescos sobre as escolas de samba, traço que o modelo Paulo Barros leva ao paroxismo. Neste ano, para não variar, tivemos também um grande escândalo: a vitória acachapante da São Clemente no Grupo de Acesso, com um enredo esquizofrênico sobre o choque de ordem (!) e notas 10 em todos os quesitos - as demais posições do Acesso, como o vice-campeonato para a Inocentes de Belford Roxo - também prefiro não comentar.
(Sabíamos que seria preciso um desfile memorável para que o Império Serrano pudesse almejar o título. Passamos bem, com um enredo claro e o único samba não reeditado efetivamente cantado pelas arquibancadas. Mas não fomos o arrasa-quarteirão que poderia garantir alguma chance de vitória. Agora, sexto lugar?)
Dito isso, é preciso reconhecer o fato - evidente, límpido, resplandecente até - de que hoje, no atual estado das coisas (aí falo em estética, mas igualmente em política), o Império Serrano é uma escola marginal. Na Liesa, da qual é fundadora, pelos protestos que fez em 2009 contra o injusto rabaixamento e, claro, por não ter um mafioso no comando. Na Lesga, arremedo da Liga principal, por não fazer parte do novo clubinho bandido.
Em resumo, não há perspectiva a curto prazo. E eu, sincera e lamentavelmente, cansei. Não há revolta, como em 2009, só tristeza, apatia, desesperança. Do carnaval deste ano, quero lembrar apenas - e para sempre - o momento em que o som da Sapucaí falhou, e todos os componentes do Império levaram no gogó, por cerca de um minuto, o samba da escola. Coesos. Afinados. Sem atravessar. É uma bela imagem para gravar na memória antes de guardar de vez a fantasia.
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