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Silvio Essinger Escrito em 19 de janeiro de 2010
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"(...) O rock pode ter começado sua caminhada pela cidade em Copacabana, mas, desde cedo, apontou para a Zona Norte e os subúrbios. Quem deu um toque foi Alberto Borges de Barros, o Betinho, um dos primeiros brasileiros a empunhar uma guitarra elétrica. No pré-rock “Neurastênico”, que ele gravou em 1954, seu aviso era um só: “Preciso me tratar/ Se não, eu vou pra Jacarepaguá”. E deve ter ido mesmo, porque, anos depois, Copa, Ipanema, Leblon... toda a Zona Sul, enfim, viraria campo livre para os bossanovistas, com seus violões e canções de amor e flores. Era a época em que os futuros ídolos do rock brasileiro Roberto e Erasmo Carlos rondavam a turma da rua do Matoso, na Tijuca (“Haddock Lobo/ Esquina com Matoso/ Foi lá que toda confusão começou”, cantaria, muitos anos depois, outro integrante da turma, o soulman Tim Maia), e sonhavam com um convite para um dos saraus bossa no apartamento de Nara Leão. Em vão. Desiludidos, levaram suas guitarras para São Paulo e, com o programa de tevê Jovem Guarda, conquistaram para o rock os corações e mentes de uma geração.

Os anos que se seguiram foram prósperos para as guitarras elétricas e seus cultores – até passeata contra elas o pessoal das raízes da música brasileira fez! E aí teve de tudo: Tropicalismo, psicodelia de garagem, Mutantes, Novos Baianos, som pauleira, baratos mil. Mas o Rio de Janeiro, coitado, ficou um bom tempo desacreditado como musa rock. Ora era o baiano Raul Seixas resmungando: “Eu devia estar alegre e satisfeito/ Por morar em Ipanema depois de ter passado fome/ Por dois anos aqui na Cidade Maravilhosa”. Ora, era o grupo paulistano Joelho de Porco e seu espírito de porco com a ácida “Rio de Janeiro City” (do disco Joelho de Porco, 1978): “A garota de Ipanema já não é mais aquela/ Palmas, palmas, palmas, palmas para ela/ O chopinho no Leblon/ Não tá com nada, não”, cantava o Joelho, concluindo com uma irônica referência ao “Neurastênico”, de Betinho: “Copacabana não me engana/ Vou pra Jacarepaguá”. De volta à estaca zero – mas não por muito tempo, como se haveria de ver. (...)".

(Trecho do livro Canções do Rio)

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