
"(...) Menescal e Bôscoli e Marcos e Paulo Sergio Valle levaram a fama, mas, na verdade, ninguém falou tanto de mar na bossa nova quanto Tom Jobim. E com motivo. Tom dizia que, em jovem, era um peixe: ia a nado do Leme ao Leblon, assobiando e deixando os peixes de verdade para trás. Uma de suas primeiras canções de sucesso, em parceria com Billy Blanco, foi “Tereza da praia”, a moça que foi deixada “aos beijos do sol e abraços do mar”. Juntos, Tom e Billy fizeram também a “Sinfonia do Rio de Janeiro”, inspirada na “montanha, o sol e o mar”.
Às vezes, Tom associava o mar à solidão, como em “Inútil paisagem”, em parceria com Aloysio de Oliveira: “Mas pra que/ Pra que tanto céu/ Pra que tanto mar, pra quê?/ De que serve essa onda que quebra/ E o vento da tarde/ De que serve a tarde? Inútil paisagem”. Por sorte, nem sempre a paisagem era tão inútil, como em “Fotografia”: “Eu, você, nós dois/ Sozinhos neste bar à meia -luz/ E uma grande lua saiu do mar/ Parece que este bar já vai fechar/ há sempre uma canção para contar/ Aquela velha história de um desejo/ Que todas as canções têm pra contar/ E veio aquele beijo...”. Ou em “Wave”: “Agora eu já sei/ Da onda que se ergueu no mar/ E das estrelas que esquecemos de contar/ O amor se deixa surpreender/ Enquanto a noite vem nos envolver...” (...)".
(Trecho do livro Canções do Rio)
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