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Nei Lopes Escrito em 19 de janeiro de 2010
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"(...) Se Freud explicasse o samba carioca, certamente diria que nossa relação com a cidade é, antes de tudo, “uterina”. Porque uma das primeiras formas de abordagem do tema, nos primeiros tempos, foi essa, em que a cidade cantada é o ventre materno, como expressou Paulo da Portela, louvando a baía carioca, útero da cidade: “Como é linda a nossa Guanabara!/ Joia rara!/ Que beleza/ Quando o nosso céu está todo azul.../ Anoitece e o céu se resplandece/ Em seu bordado de estrelas/ Vê -se o Cruzeiro do Sul...” (“Linda Guanabara”, 1935).

No já citado “Cidade mulher”, de 1939, o “professor Paulo” toma a bênção ao Rio inteiro, incorporando -se a ele e, reverente e filial, prostrando -se aos pés da musa Mãe, sem nem se considerar, ainda, um artista completo: “Cidade, quem te fala é um sambista,/ Anteprojeto de artista,/ Teu grande admirador./ Me confesso boquiaberto,/ De manhã, quando desperto/ Com tamanho esplendor. (...)/ Diante de tal beleza/ Que lhe deu a natureza/ Se há outra, não vi igual (...)/ Te admiram estrangeiros/ Se orgulham os brasileiros/ Teus poetas

(Trecho do livro Canções do Rio)

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