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João Máximo Escrito em 19 de janeiro de 2010
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"(...) Não deixa de ser curioso que, antes dos bairros da moda, do Centro mais agitado e da emergente Zona Sul, tenham sido os morros e os subúrbios os pontos mais frequentados pelas letras de música. O caso dos morros deve ser visto primeiro. Estão cobertos de razão os que dizem que a maior parte das canções enaltecendo os morros da cidade foi feita a distância, por compositores e poetas cá de baixo, movidos por uma visão idealizada da vida lá de cima. Há exceções, tanto de letras do asfalto a desglamourizar o morro, como esta, de Luís Antônio e Aldemar Magalhães: “Ai, barracão, pendurado no morro/ Pedindo socorro à cidade aos seus pés”; quanto esta, em que Enéas da Silva e Aloísio da Costa exaltam as coisas que o morro tem:

“Mangueira, teu cenário é uma beleza/ Que a natureza criou...”; ou esta, de Jorge Moraes e Rufino Gonçalves, misturando o lirismo à rea lidade que os cerca: “Ave -Maria no Salgueiro é assim/ Com surdo, pandeiro e tamborim/ É a pobreza de joelhos a implorar:/ ‘Senhor, tenha pena de mim’...”. Mas a regra é mesmo o oposto (...)".

(Trecho do livro Canções do Rio)

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