
Recomendo a leitura do texto A moda, o samba e a vigarice do estilo, publicado no site Tribuneiros pelo amigo Carlos Andreazza. Em poucos parágrafos, ele comenta, com viés crítico, a nova série de camisas da grife Osklen. Segue o trecho inicial do artigo. Leia a íntegra aqui.
"(...) Nada tenho contra a moda; e nem poderia: sou filho de uma produtora e irmão de uma estilista - mulheres que sempre compreenderam a coisa como a coisa é, trabalho honrado, simplesmente trabalho honesto.
Feito o [necessário] preâmbulo, chego ao ponto: uma série covarde de camisas, da grife Osklen, que ostenta, em cores e fontes variadas, a palavra “samba” - o que me serve para exemplificar uma tendência repugnante que aos poucos se impõe: a substituição da cultura pelo estilo, a troca da tradição pela afetação, a reposição da experiência pela frivolidade.
Porque puramente inscrito, jogado num pano sem contexto, cuspido assim, quase ao acaso, o termo “samba” estampado numa camisa de marca nada mais é que estilo transitório, descartável e esvaziado de conteúdo; nada mais representa que “fazer estilo”, que enganar, que montar intenção [falsa], que usurpar os significados, que adulterar os símbolos, que vender a imagem superficial do que, à vera, quando o couro come, não interessa. (O que verdadeiramente me irrita é o que ao samba resta nesta apropriação reciclável - neste golpe cafajeste: exotismo de verão). (...)"
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