
O Poeta da Vila, que, se vivo, hoje completaria 99 anos recebe a homenagem deste blog nas sempre precisas palavras de Luiz Antonio Simas. Em seu blog Histórias brasileiras, Simas escreveu o mais belo tributo que Noel poderia receber. Leia, abaixo, o início do texto. E não deixe de conferir a íntegra aqui.
"Nöel Rosa é um dos inventores do Brasil, gênio da raça. Deveria ser ensinado nas escolas, cantado nas universidades, bebido nos botequins, saudado nas esquinas e reverenciado nos terreiros.
Nöel Rosa é Exu e Oxalá ao mesmo tempo - homem da rua, dono do corpo, malandro maneiro, azougue de céu e terra, civilizador afoito e velho sábio. Feito Obatalá bebeu o vinho de palma, dormiu na sombra da palmeira, largou a medicina como se larga a tarefa de Olodumare, zombou da sorte, não criou o mundo mas moldou no verso - ritmado em samba - o homem.
Nöel Rosa é tapa na cara do preconceito e prova evidente de que o maior elemento civilizador do Brasil é o samba. Não pensou em remover favela - subiu o morro, aprendeu, ensinou, bateu, levou e inventou a vida entre o pandeiro e a viola. Branco azedo entre os pretos, feito camisa do Botafogo.
Nöel Rosa é conversa de botequim, futebol no rádio de pilha, conta pendurada, caldo verde pra curar ressaca, conversa fiada, sacanagem no portão, punheta de garoto, pêra uva maçã salada mista, selo carniça nova, pipa no céu, bola ou búlica, vida pela sete, com tabela na caçapa do meio. Brasil que gosta do Brasil. (...)"
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