
Foi em meados de outubro que senti que o Fluminense seria rebaixado. Cheguei a comentar isso no twitter, e na ocasião comecei a me preparar para a barra pesada de enfrentar um duplo rebaixamento – Império Serrano e Flu – no mesmo ano. Flechas sorrateiras, cheias de veneno, sobre dois pontos frágeis do meu coração.
Então decidi que, confirmado o rebaixamento, escreveria um texto analisando as duas quedas – sobretudo, suas diferenças. A idéia era mostrar como o Império caiu por motivos alheios a seu desempenho na Sapucaí. Motivos já exaustivamente apontados aqui no blog.
O Tricolor, por sua vez, seria vítima da incompetência de sua diretoria. Contando com vultosos recursos, Horcades e Cia. se notabilizaram por gastar mal, por uma administração perdulária, isso sem falar nas declarações quase sempre infelizes.
![]()
A faixa que virou símbolo da reação do Tricolor
Porém, como bem observou o Juca Kfouri, no meio do caminho tinha uma torcida. E essa torcida – exemplar – abraçou o time e não largou mais. Sempre levando uma faixa que acabou virando símbolo da reação ("Lutem até o fim", dizia), encheu os estádios e comprou a briga. Não parou de cantar um só instante nos jogos, mesmo nos momentos em que o time desandava em campo e tudo parecia se esfarelar. E eu estive lá, a cada partida, num nervosismo agudo.
Aliás, se tivesse que eleger o capítulo mais bonito dessa trajetória, escolheria a recepção aos jogadores, no aeroporto, depois da goleada para a altitude (e a LDU) em Quito. Num ato improvável, mais de 300 tricolores foram ao Galeão receber o time. E os 300 se multiplicaram em 70 mil no jogo de volta, aplaudindo os “guerreiros” após o incisivo 3x0.
Claro que o Cuca tem muito mérito na extraordinária recuperação da equipe. Sem alarde, ele afastou velhas figuras nefastas que se achavam donas das camisas e fez o que há muito tempo se pedia: abrir espaço para os garotos de Xerém.
Claro que Fred foi fundamental. Craque de bola, ele assumiu o papel de líder do time e, com técnica e muita, muita raça, fez diferença.
Claro que Conca, sempre ele, ajudou um tanto com sua regularidade, com seu talento e sua capacidade de tirar fôlego sabe-se lá de onde.
Claro que sem os meninos, sem o goleiro Rafael, ou o incansável Diguinho, ou o raçudo Gum, sem cada um desses atletas, o Fluminense não teria feito o que fez.
E o que o Fluminense fez neste Campeonato Brasileiro, meus caros, foi desmoralizar a estatística.
Saudações tricolores.
{3}