
Herculano, André, Maria José e Márcio Souza, num dos painéis
Queria fazer aqui um agradecimento público ao querido Marcelino Freire pelo convite para participar da edição de 2009 da Balada Literária. Confirmando o que me adiantara o amigo Álvaro Costa e Silva (o Marecha), a Balada é um evento de altíssima voltagem, juntando duas das coisas que os escritores mais gostam: literatura e boemia.
Cheguei a São Paulo na quinta à tarde e fui logo conferir a mesa que reuniu, na Livraria da Vila, a professora Heloísa Buarque de Hollanda e os jornalistas Noemi Jaffe e Marcelo Coelho, ambos da Folha de S. Paulo, com mediação da escritora Ivana Arruda Leite. Heloísa, como era de se esperar, falou sobre as experiências da periferia, e Noemi fez uma defesa, que me pareceu um tanto nostálgica, da experimentação contra “a caretice”.
Já Coelho traçou uma análise perspicaz do atual panorama, destacando que a movimentação da cena literária não se reflete na qualidade das obras ou na vendagem de livros. Este é uma questão que venho comentando há tempos: o nó que escritores e editoras precisam enfrentar é a relação com o público-leitor. Mas observei, durante o debate, que pelo menos com relação ao problema da qualidade o jornalismo cultural tem sua parcela de culpa, pois costuma privilegiar, nas pautas, o personagem que o autor encena, em detrimento daqueles que ele cria.
Show em tributo ao Dia da Consciência Negra, no Sesc Pinheiros
No painel seguinte aconteceu no Sesc Pinheiros. Dividi a mesa com o português José Luis Peixoto e com o angolano João Mello. Foi uma ótima conversa sobre o trabalho dos dois (leia mais sobre o painel aqui) que terminou com a leitura de um texto de cada autor, salientando os diferentes sotaques da Língua Portuguesa (veja no vídeo abaixo).
À noite, aconteceu o show Viva o povo brasileiro, com os cantores Fabiana Cozza e Rubi, e o pianista Vitor Araújo, além de leituras feitas pelo Marcelino, pelo Ferrez e por dois atores. Um espetáculo emocionante, que homenageou o Dia da Consciência Negra recorrendo a textos e canções que abordam nossas raízes africanas.
Outro destaque da Balada foi o painel com Márcio Souza, André Sant’anna e Maria José Silveira. Fiquei impressionado com a cultura e a verve do Márcio, que deu uma verdadeira aula sobre a Amazônia, extensiva ao agradável almoço que tivemos logo em seguida. Ri muito também com o André, que festejou o fato de estar numa mesa que não tratava de transgressão. “Sempre me colocam nessas mesas. Numa delas, um cara da platéia pediu para ler um poema em minha homenagem. O poema era sobre coco”, disse ele. Quem mediou o painel foi o jornalista e escritor mineiro Carlos Herculano Lopes, grande parceiro de copo e boas conversas.
Eu e Chico Alvim, após a palestra dele
Não poderia deixar de salientar ainda a conversa com o grande Francisco Alvim. Poeta de primeiríssima, Alvim emocionou o público com sua leitura e com uma bela explanação sobre o lugar da arte. Além de se mostrar um escritor no auge da maturidade, com pleno domínio a respeito seu ofício e um olhar sereno sobre a vida. Ademais, Alvim é uma pessoa adorável, como descobri em São Paulo.
Santiago Nazarian e João Gilbeto Noll: bom papo entre fã e ídolo
Ainda tivemos um papo entre Santiago Nazarian e João Gilberto Noll, interessantes conversas com autores do Uruguai (como o simpático Dani Ump) e da Venezuela, grandes noites de cerveja na Mercearia. Ou seja, muitas outras coisas rolaram por lá. E todas - todas - num clima de amizade, de troca, sem picuinhas, sem vaidades. Tudo isso só pôde acontecer graças a esse indivíduo admirável que é o Marcelino. Sua generosidade deve ser sempre ressaltada. É imenso o bem que ele faz para a literatura brasileira.
Marcelino Freire: aplausos ao grande responsável pelo belo evento
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