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Martinho e o helicóptero Escrito em 21 de outubro de 2009
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Em sua coluna de ontem na Folha de S. Paulo, o Luiz Fernando Vianna conectou, com perspicácia, dois assuntos da pauta carioca: a vitória do samba de Martinho da Vila na Unidos de Vila Isabel e o abate de um helicóptero da política por traficantes do Morro dos Macacos. O texto, que se segue, vale a leitura.

"Helicóptero cai, Martinho não sobe"

Luiz Fernando Vianna

"Um helicóptero da polícia sobrevoa uma favela do Rio, é atingido por tiros, pega fogo e cai com mortos. Isso aconteceu em 16 de novembro de 1984, no morro do Juramento, numa operação para prender José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha.

No mesmo ano, saiu o disco "Martinho da Vila Isabel", um dos melhores da carreira do sambista e no qual ele aparece, na contracapa, no alto do morro dos Macacos.

Os traficantes levaram 25 anos para derrubar outra aeronave policial. Demoraram muito. Já tinham mostrado afinidade com o meio de transporte em 1986, quando içaram Escadinha do presídio de Ilha Grande numa fuga espetacular. De lá para cá, têm reforçado o seu armamento e, apesar da alta rotatividade da mão de obra, a sua mira.

Martinho levou muito menos tempo para se afastar das tendinhas do morro que tanto frequentou e cantou. Em 1992, ainda podia desejar em "Alô" morar "até mesmo num barraco/ Naquele Macaco do meu coração". No final da década passada, já não circulava mais por lá. E em 2005 reconheceu que só "Quando Essa Onda Passar" ele poderia "pegar o Mané do Cavaco/ E levar pra uma roda de samba/ No meu morro dos Macacos".

Escadinha foi assassinado em 2004, quando saía do presídio para trabalhar. Tinha 48 anos. Demorou muito. Traficante coroa não é algo que se encontre no Rio. Quem é um pouco mais velho está, na melhor das hipóteses, dando ordens de um presídio de segurança máxima.

Martinho, 71, ganhou a disputa de samba-enredo na Unidos de Vila Isabel para o próximo Carnaval. A letra homenageia Noel Rosa. O encontro simbólico entre os dois maiores nomes do bairro foi visto como sinal de novos tempos para o Rio. O último sábado provou que ainda falta muito para a cidade voltar a merecer Martinho e Noel."

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