
A peça In on it, em cartaz no Teatro do Planetário, é um exemplo interessante do poder que um ótimo texto tem por si só, se bem dirigido e interpretado. São apenas dois atores no palco, o cenário se resume a duas cadeiras, o figurino também é básico, com destaque para o casaco que 'marca' a passagem entre os personagens. Essa aparente simplicidade é uma aposta bem sucedida na máxima minimalista. Menos, em In on it, é mais.
Num resumo apressado, poderíamos afirmar que o texto do canadende Daniel Macivor gira em torno de dois homens que vivem juntos e buscam o melhor caminho para uma encenação. Acontece que esse fiapo de enredo aos poucos vai descamando, num jogo metalinguístico que não se encerra em si como sói ocorrer nos tantos que grassam por aí. Pelo contrário, suscita questões como a dificuldade da troca de afetos, a corrosão dos relacionamentos amorosos e, sobretudo, a trágica noção do fim inexorável - o tema da proximidade da morte é reiterado em várias esquetes que os atores representam.
Aliás, eles, os atores são, ao lado do texto, o ponto alto da peça. Transitando sem vacilar entre as muitas nuances que a história Macivor engendra, as atuações de Fernando Eiras e Emílio de Mello são densas, mas nunca carregadas demais. Eles parecem ter encontrado, sob a direção de Enrique Diaz, o ponto ótimo entre o peso do conteúdo e a airosidade da forma, obtendo um entrosamento que se traduz também em plena comunicação com a platéia.
In on it fica em cartaz até o fim do mês. Orientação segura: não perca.
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