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Escada qualitativa Escrito em 30 de setembro de 2009
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Sempre reclamo da escadinha qualitativa que crítica, editores e imprensa costumam fazer com relação aos gêneros literários, na qual o romance aparece no andar de cima, o conto no do meio, e a poesia no mais rente ao chão, numa escala que sugere juízo de valor prévio de acordo não com excelência, mas com extensão do escrito.

Agora, parece que conto e poesia desceram mais um degrau. Na matéria publicada hoje em O Globo sobre o Prêmio Jabuti, assinada pelo bom repórter Guilherme Freitas, os vencedores do gênero reportagem são citados logo em seguida aos do romance. É pena.

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Duas rápidas Escrito em 29 de setembro de 2009
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. A diretoria do Flamengo é patética mesmo (se já não nos bastasse a do Flu...). Agora quer bater o recorde de público do Vasco. Isso é de uma babaquice sem par, parece coisa do falecido Eurico. Além disso, se é para levar a sério essa idiotice, a torcida do Vasco bateu seu recorde sozinha no Maracanã, não foi em clássico, não.

. O Prêmio Jabuti (vencedores aqui) vai acabar igual à OEA: irrelevante.

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Herivelto no toca-fitas Escrito em 29 de setembro de 2009
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Até hoje me lembro do repertório que meu pai guardava em fitas cassete e que configurava, ao lado dos programas Haroldo de Andrade e A cidade contra o crime, a trilha sonora de nossas viagens Barra/Madureira. Como morávamos longe, ele me levava para o colégio, que ficava em Piedade, antes de rumar para a loja da Avenida Edgar Romero.

As fitas juntavam sambistas, como Roberto Ribeiro, João Nogueira e Beth Carvalho, e cantores de “seresta” - Nelson Gonçalves (talvez o preferido do pai), Altemar Dutra, Sílvio Caldas, cujas músicas estavam sempre presentes nos eventos lá de casa. Na minha memória, essas canções e as transmissões em AM se empastelam na imagem do pai dirigindo seu Corcel 2.

Odiava algumas daquelas músicas. Como Fica comigo esta noite. Como a que falava da normalista, e eu achava de uma cafonice sem par (na minha escola havia o curso Normal e aquelas meninas me pareciam fora de tempo e lugar).

De outras, gostava. Matriz ou filial, cujo tema talvez ainda não entendesse bem. Esses moços, que antecipava a melancolia funda que sempre me acompanhou. Sentimental demais, cuja lembrança se confunde com a morte de Altemar Dutra.

Nesse grupo, no entanto, havia duas canções que se destacavam particularmente. As duas, eu viria saber muitos anos depois, compostas pela mesma pessoa: Herivelto Martins. Refiro-me a Caminhemos e a Segredo.

Sou capaz de redesenhar perfeitamente da manhã em que o pai mencionou pela primeira vez o nome de Herivelto dentro do carro. O toca-fitas tocava Ave Maria no morro, e ele fez um elogio entusiasmado. Talvez ali eu tenha começado a fazer relações entre aquelas duas músicas que me tocavam tão particularmente e a assinatura do compositor.

Todas essas recordações vieram à tona há algumas semanas, quando comprei o excepcional DVD do programa Ensaio, da TV Cultura, no qual Herivelto é o entrevistado. No programa, ele fala de muito de suas canções e pouco da atribuladíssima vida ao lado de (e, depois, em confronto com) Dalva de Oliveira.

Um dos pontos altos do DVD é o dueto entre Herivelto e o filho, Pery Ribeiro, que me parece bastante emocionado na cena. Eu olhava para aqueles dois homens cantando lado a lado e imaginava como deve ter sido tudo tão difícil para Pery. Ser a ponta mais frágil de uma briga pública entre os pais, artistas de sucesso. Viver a queda brusca do glamour à decadência, ainda que como personagem periférico.

Então fui ler o livro que ele escreveu, com a ajuda da esposa, Ana Duarte, tratando da história. Publicado pela editora Globo, Minhas duas estrelas mostra que qualquer coisa que se possa imaginar de terrível sobre a situação de Pery é pouco, quase nada. O drama de que ele trata é barra pesada, muito pesada.

Pery narra a trajetória de Dalva e Herivelto desde os primeiros momentos, na Dupla Preto e Branco + Dalva de Oliveira (que, batizado pelo comunicador César Ladeira, da Radio Mayrink Veiga, se transformaria, no bem sucedido Trio de Ouro), passando pela belicosa separação, cantada em verso (nas canções) e em prosa (no Diário da Noite) por Herivelto, com a ajuda do jornalista David Nasser, e pelos arrependimentos mútuos, até chegar à morte dos dois protagonistas.

O livro traz revelações curiosas, como a recusa de Benedito Lacerda em entrar na parceria de Ave Maria no morro, após ouvir de Herivelto o primeiro esboço de letra. “Não entro nem a pau. Isso é música de igreja”, disse Lacerda. Ou o xixi que Pery fez na cama de Carmen Miranda, para satisfação da cantora. Carmen cismara que só fecharia contrato com um empresário norte-americano se alguma criança molhasse seus lençóis.

Há alguns pequenos erros, como a atribuição da autoria de Olhos verdes à dupla Herivelto/Lacerda, quando a canção é de Vicente Paiva. No próprio livro, porém, o autor do livro desfaz o equívoco. E mesmo os excessos “espiritualistas” de Pery são compreensíveis pela proposta da obra: espelhar o depoimento de um filho que abre corajosamente o coração com relação a pais que, pelas circunstâncias, poderia simplesmente odiar.

Ou seja, não há dicotomias preto/branco, certo/errado. Pery não esconde as dores que sentiu (e que, de certo modo, carrega consigo), mas é sábio ao reconhecer que o tributo de um filho a seus pais passa por cortes outros que não o da perfeita organização da infância. Ele reafirma a herança que os dois lhe legaram - “com eles, aprendi a ver música em cada som” - e acrescenta um outro espólio, enviesado, fruto da experiência de quem testemunhou a tragédia de não saber exculpar: a capacidade do perdão.

A conclusão de Pery é que, se os caminhos dessa vida comprida estrada alongada são tão estranhos, é alvissareiro saber que algo de bom sempre fica. Algo, acrescento eu, que é capaz de nos remeter ao de bom que passou. Como as frescas manhãs, ao lado de meu pai, ouvindo Herivelto em seu velho Corcel 2.

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Sites e blogs da palestra Escrito em 24 de setembro de 2009
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Agradecendo aos organizadores do Ensecom pela ótima acolhida e aos estudantes de comunicação pela presença, relaciono os sites e blogs citados durante a minha palestra de ontem, para que possam conhecer um pouco mais como a internet vem sendo utilizada por escritores e críticos nos últimos anos.

www.archive.org + www.paralelos.org
www.confrariadovento.com.br
www.cronopios.com.br
www.santiagonazarian.blogspot.com
www.rechavia.wordpress.com
www.doidivana.wordpress.com
www.michellaub.wordpress.com
www.eraodito.blogspot.com
www.fernandomolica.com.br
www.flaviocarneiro.com.br
www.enterantologiadigital.com.br
www.todoprosa.com.br
www.folhetimpulp.blogspot.com
www.entrerinhasdecachorroseporcosabatidos.blogspot.com
www.estantevirtual.com.br

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14º Ensecom Escrito em 22 de setembro de 2009
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Amanhã pela manhã seguirei para Aracaju, onde vou participar do 14º Encontro Sergipano de Comunicação (Ensecom). O evento, com palestras, minicursos, oficinas e worshops, girará em torno do tema central Comunicação e Inovação na Contemporaneidade. Minha participação se dará amanhã mesmo, às 20h15, no painel Literatura.com.br: como a internet ajudou a recriar uma vida literária no Brasil. Espero conseguir também dar uma boa olhada em Aracaju, que me parece uma linda cidade.

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Rodrigo Lacerda Escrito em 22 de setembro de 2009
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A amiga Adriana Lisboa indicou, em seu blog, a entrevista que o escritor Rodrigo Lacerda concedeu ao jornal Rascunho em sua mais recente edição. As observações do Rodrigo, a quem tive o prazer de encontrar na Bienal, são, realmente, muito lúcidas. Assim como a Adriana, destaco o trecho em que ele trata das avaliações sobre a literatura brasileira contemporânea, no mais das vezes apressadas e generalizadoras, na linha do "não li e não gostei". Quando confrontado sobre o assunto, Rodrigo é preciso, como vocês podem constatar:

"(Rascunho) Em recente entrevista à revista Continente (de Recife), o português João Pereira Coutinho (cronista da Folha de S. Paulo) disse: "A literatura contemporânea brasileira é muito pobre. Da nova geração prefiro nem falar". O senhor, obviamente, deve discordar desta opinião. A literatura brasileira desmente tal afirmação ou Coutinho tem um pouco de razão?

(RL) Bem, ele tem todo o direito de acreditar nisso, mas acho que depende do que se busca na literatura. Eu, antes de tudo, busco nela a mesma coisa que busco nas outras formas de arte: uma história bem contada, isto é, aquela que constrói um fluxo envolvente e cujas situações transmitem eficientemente os dramas dos personagens, estabelecendo contato emocional com o leitor. Um romance, um conto, uma poesia, uma música popular ou erudita, um filme, uma peça, sempre me atraem mais quando contam uma história segundo esses critérios. Outro português, o Eça de Queiroz, dizia que "Contar uma história é a atividade mais generosa que um homem pode exercer". Para os que pensam assim, e eu sou um deles, a literatura contemporânea está longe de ser um cenário de desolação. Eu, do meu modesto ponto de vista, me sinto bastante bem atendido por exemplo com os romances do Milton Hatoum, do Bernardo Carvalho, do Cristovão Tezza, do Bernardo Ajzenberg, ou com os contos do Rubens Figueiredo, etc. São todos ótimos narradores, e há muitos outros nomes disponíveis. Suponho que esse crítico tenha interesses diferentes dos meus em relação à literatura. Talvez ele julgue a literatura contemporânea, não só no Brasil, muito conservadora do ponto de vista formal. Talvez o irrite um movimento predominante de resgate dos gêneros, décadas atrás abolidos pelas vanguardas; um certo comodismo no uso da linguagem; um retorno ao compromisso narrativo. Esse diagnóstico pode se explicar por um certo saudosismo em relação às experimentações estéticas de vanguarda; por uma questão de patrulhamento ideológico, para que continuemos cometendo o erro que a Geração 70 cometeu; ou ainda por uma relação excessivamente racionalista com a literatura, como se ela devesse se obrigar a ser, antes de tudo, algo a serviço da verve intelectual deles, críticos especializados, e a concretize as suas expectativas. Os críticos que recusam a literatura brasileira contemporânea, quando vão ao cinema, consomem e elogiam estratégias narrativas e de comunicação com o público que são as mesmas usadas na literatura contemporânea. Mas, por algum motivo que me escapa, a grandeza da literatura deve ser mantida acima do leitor comum. Em resumo, essa visão de que nada presta na produção contemporânea esconde, a meu ver, uma postura essencialmente elitista, ou um delírio de vaidade. Isso não significa que nós escritores devamos "baratear" nossa obra para sermos acessíveis, mas o retorno dos gêneros, o uso de uma linguagem mais próxima ao leitor e a revalorização do enredo talvez sejam sinais de que a literatura redescobriu sua verdadeira prioridade, que não é nem a ideologia revolucionária, nem o público acadêmico e nem a crítica de jornal. A verdadeira prioridade é estabelecer o contato emocional entre o autor e os leitores. É dessa generosidade que falava o Eça."

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Vendedor de orações Escrito em 22 de setembro de 2009
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Acaba de ser escolhida a fantasia com a qual a Ala dos Devotos atravessará a Sapucaí no desfile do Império Serrano em 2010. Assinado pela carnavalesca Rosa Magalhães, o elegante figurino se chama Vendedor de orações e integra o enredo João das ruas do Rio. Lembro que já estão abertas as inscrições para a ala, que é composta por um grupo de amigos de coração grande (e imperiano).

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Bienal em três tempos Escrito em 21 de setembro de 2009
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Os Marcelos (Rubens Paiva e Mirisola), Reinaldo Moraes e eu

Foi ótima a Bienal do Livro deste ano. Com programação mais enxuta com relação à última edição (da qual participei como autor), o Café Literário esteve sempre cheio e sediou discussões interessantes, porque houve, menos concorrência de atrações paralelas e mais cuidado na relação dos temas com os escritores convidados (mérito do curador estreante Italo Moriconi).

Mediei três mesas. A primeira, que prometia ser quente em razão do perfil dos autores (Marcelo Mirisola, Marcelo Rubens Paiva e Reinaldo Moraes), acabou transcorrendo tão tranquilamente que pode ter faltado pimenta. O Prosa On Line fez uma matéria sobre o painel (leia aqui).


Michel Laub, Adriana Lunardi e Flávio Carneiro

Na segunda mesa, joguei em casa. O registro literário dos três escritores - Adriana Lunardi, Flávio Carneiro e Michel Laub - trafega em via próxima ao do meus contos e, como bem definiu o Italo, o debate foi de alta voltagem. Adriana falou sobre a obsessão pelo tema da finitude, que identifiquei tanto em Vésperas, quanto em Corpo ausente. Flávio fez revelações sobre o processo de criação da trilogia que já nos legou O campeonato e A confissão, justificando a opção por trabalhar com os chamados gêneros populares: o policial, o fantástico e a ficção científica. Michel analisou a relação entre o escritor e a crítica, e comentou a virada formal de O gato diz adeus com relação a seus romances anteriores, que são lineares. O Portal G1 reportou a conversa (leia aqui).

No terceiro painel, tive a honra de mediar a conversa entre Carlos Heitor Cony (uma de minhas grandes referências literárias) e Sérgio Rodrigues, autor do ótimo Elza, a garota. A verve de Cony conquistou a platéia, que contou com a presença luxuosa de Ruy Castro, Heloísa Seixas e Antônio Torres. Leia mais aqui.

Uma dica para qem não pôde ir e quer assistir às discussões: o Portal G1 postou vídeos dos três painéis. Confira aqui.


Eu, Sérgio Rodrigues e o grande Carlos Heitor Cony

P.S. Além de tudo, a Bienal me livrou de ver o Fluminense...

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No Diário de Pernambuco Escrito em 18 de setembro de 2009
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O Diário de Pernambuco publicou resenha, assinada pelo repórter Thiago Corrêa, sobre o Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa. Segue a íntegra do texto:

"Subversão da linguagem pela palavra"

Thiago Corrêa

"Um lado bom das antologias é poder comparar o trabalho de diversos escritores a partir de um mesmo parâmetro. No caso do Dicionário amoroso da Língua Portuguesa, organizado pelos escritores Marcelo Moutinho e Jorge Reis-Sá, a linha de partida foi a escolha de uma única palavra que sintetizasse a intimidade entre o autor e o idioma português. A relação fundamentada na linguagem aproximou 35 escritores de cinco países e quatro continentes, cada um com diferentes histórias, idades e visões reunidas em um mesmo livro.

Uma diversidade geográfica e etária que se traduziu na amplitude das escolhas, indo do termo Porra à Morte, do Bosque ao Deserto, do Fogo à Sombra, da inventada Calicrati à pisoteada Sandália, da Palavra ao Silêncio. Apesar da variedade e até da relação contraditória dos temas, quase um terço dos autores se limitou a sugestão do nome do projeto e resolveram descrever um verbete, adotando o formato de dicionário.

Alguns levam isso a sério, caindo na armadilha da linguagem funcional na tentativa de explicar o termo escolhido. É o caso de Serendipidade (onde Bruna Lombardi desperdiça o teor poético do termo no uso de uma linguagem técnica), Casa (crônica repetitiva de Fabrício Carpinejar) e, principalmente, Verdade, do português Desidério Murcho, que deveria estar numa coletânea de ensaios filosóficos.

Mas a repetição do formato não chega a ser uma camisa-de-força aos que optaram pelo padrão acadêmico ou de dicionário. Mesmo assumindo uma estrutura esquemática de tópicos, o verbete Morte, do poeta carioca Armando Freitas Filho, consegue se diferenciar apresentando novas maneiras de compreender o fim da vida. Do ponto de vista acadêmico, vale lembrar o texto Moderno, do poeta Antônio Cícero. Embora tenha optado em escrever um ensaio, Cícero o faz com a inteligência de quem consegue sintetizar sentimentos em versos, tentando explicar um termo que revela vontade de não ser nada.

Esses casos fazem pensar que o problema não é a forma nem o assunto a ser tratado, e sim a capacidade dos autores em subverter a linguagem. No centro da questão está somente a palavra e a maneira como os autores as utilizam. Fernando Molica, por exemplo, transforma a explicação do seu verbete Buceta (assim mesmo, com u) numa crônica através de um texto leve, corriqueiro e inteligente, tão malicioso quanto divertido. Já o angolano Ondjaki mergulha na poesia para oferecer maneiras incomuns de enxergar a Sandália.

Outros escritores nem se preocuparam com as miudezas das explanações, partiram logo para a criação. Assim, os verbetes viraram temas, detalhes ou apenas títulos, um barbante para ser puxado e costurado em forma de palavras no papel. Um caminho que se revelou vários. Desembocou nas experimentações linguísticas do gaúcho Amílcar Bettega em Neve, do moçambicano Guita Jr. em Fogo e do carioca Paulo Henriques Britto em Peteleco; na originalidade do baiano Antônio Torres em fazer uma autobiagrafia da Saudade; no espírito crítico da carioca Heloisa Seixas em Espelho e no olhar delicado da portuguesa Tatiana Salem Levy em Deserto.

Como em Pernambuco também se escreve o português, fomos representados na antologia por Marcelino Freire e Raimundo Carrero. Embora siga na Sombra, a força narrativa de Carrero é iluminada pelo rigor técnico no emprego das palavras, no uso de elipses e de uma lógica infantil (que nos lembra as brincadeiras do protagonista de O amor não tem bons sentimentos); tudo no devido lugar, pensado para manter o ritmo e a tensão do enredo.

Uma preocupação que Freire (na condição de ex-aluno das oficinas de Carrero) também tem, mas seu texto se destaca pela maneira de subverter, indiretamente, a proposta da antologia. Ao focar no termo Palavra, o pernambucano rejeita o sentido de união comunicativa da língua portuguesa e elege como tema a dificuldade de se expressar nesse idioma de solitários".

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Como criam os escritores Escrito em 18 de setembro de 2009
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O Laboratório Estação vai promover, entre 19 e 21 de outubro, o ciclo Como criam os escritores - Conversa com seis escritores contemporâneos. Durante os três dias do evento, seis autores falarão sobre seu processo criativo, as fontes de inspiração, as obras importantes para sua formação, a relação com a crítica, os leitores e as editoras, o mercado editorial e o futuro do livro.

Os escritores convidados - Adriana Lunardi, Ana Paula Maia, Carola Saavedra, Guilherme Fiúza, Sérgio Rodrigues e eu - farão suas explanações em duplas, na seguinte ordem:

19/10 – Guilherme Fiuza + Sérgio Rodrigues
20/10 - Ana Paula Maia + Marcelo Moutinho
21/10 - Adriana Lunardi + Carola Saavedra

Mais informações podem ser obtidas aqui.

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Bienal do Livro Escrito em 16 de setembro de 2009
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Estarei na Bienal do Livro no próximo fim-de-semana, como mediador de três mesas do Café Literário:

Sábado, às 15h30 - Masculino sem lei, na lei do prazer - Com Marcelo Mirisola, Marcelo Rubens Paiva e Reinaldo Moraes

Domingo, às 12h - Literatura, delicadeza, ficções de si e dos outros - Com Adriana Lunardi, Flávio Carneiro e Michel Laub

Domingo, às 17h - A política entre a ficção e a realidade - Com Carlos Heitor Cony e Sérgio Rodrigues

Aliás, a programação do Café, sob a curadoria do professor Italo Moriconi, está muito boa e variada, como se pode conferir aqui. Espero vocês!

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Penso subúrbio carioca Escrito em 15 de setembro de 2009
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Como dizia Marques Rebello, "o Rio é uma cidade com muitas cidades dentro". Dentro desse mosaico de todas as cidades, a cidade (a paráfrase é de Renato Cordeiro Gomes), o grande universo que pode ser classificado como “subúrbio” é o que tem merecido historicamente menos atenção, inclusive no campo dos estudos sobre arquitetura e urbanismo. Pois preencher especificamente parte desta lacuna é o objetivo do livro Penso subúrbio carioca.

A publicação, que inaugura o catálogo da Editora Tix, reúne traz nove ensaios de escritórios de arquitetura do Rio de Janeiro especialmente desenhados para a Zona Norte da cidade. A coordenação do projeto é da arquiteta e produtora Ana Borelli, que não restringiu o conceito de "subúrbio" às regiões coladas às estações de trem, como comumente classificamos de faz. Bairros como São Cristóvão e a Praça da Bandeira também foram contemplados.

O lançamento do livro vai acontecer hoje, a partir das 18h30, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, com uma homenagem a São Cosme e São Damião. Logo depois dos autógrafos, será exibido, em sessão para convidados, o filme Praça Saens Peña, de Vinicius Reis, ainda inédito no circuito comercial.

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Confraria do vento Escrito em 14 de setembro de 2009
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Após quase cinco anos sendo editada em formato eletrônico, a revista Confraria agora se converte em edição impressa bimestral, que será distribuída no Brasil e em Portugal. O lançamento do número de estréia - que traz uma entrevista com o grande Nei Lopes, um dossiê sobre a poesia finlandesa, além das colunas de Luiz Costa Lima, Gonçalo M. Tavares e Clóvis Bulcão, e de textos de Arnaldo Antunes, Octavio Paz e Ortega Y Gasset, entre outros - será hoje, a partir das 18h, no CCBB.

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In on it Escrito em 14 de setembro de 2009
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A peça In on it, em cartaz no Teatro do Planetário, é um exemplo interessante do poder que um ótimo texto tem por si só, se bem dirigido e interpretado. São apenas dois atores no palco, o cenário se resume a duas cadeiras, o figurino também é básico, com destaque para o casaco que 'marca' a passagem entre os personagens. Essa aparente simplicidade é uma aposta bem sucedida na máxima minimalista. Menos, em In on it, é mais.

Num resumo apressado, poderíamos afirmar que o texto do canadende Daniel Macivor gira em torno de dois homens que vivem juntos e buscam o melhor caminho para uma encenação. Acontece que esse fiapo de enredo aos poucos vai descamando, num jogo metalinguístico que não se encerra em si como sói ocorrer nos tantos que grassam por aí. Pelo contrário, suscita questões como a dificuldade da troca de afetos, a corrosão dos relacionamentos amorosos e, sobretudo, a trágica noção do fim inexorável - o tema da proximidade da morte é reiterado em várias esquetes que os atores representam.

Aliás, eles, os atores são, ao lado do texto, o ponto alto da peça. Transitando sem vacilar entre as muitas nuances que a história Macivor engendra, as atuações de Fernando Eiras e Emílio de Mello são densas, mas nunca carregadas demais. Eles parecem ter encontrado, sob a direção de Enrique Diaz, o ponto ótimo entre o peso do conteúdo e a airosidade da forma, obtendo um entrosamento que se traduz também em plena comunicação com a platéia.

In on it fica em cartaz até o fim do mês. Orientação segura: não perca.

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Poema para o HR Escrito em 11 de setembro de 2009
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"Criança em ruínas"

José Luiz Peixoto

"na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco."

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Armando Freitas Filho Escrito em 10 de setembro de 2009
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"Lar"

Armando Freitas Filho

"Da casa dos três dígitos
não saio mais. Trinco.
Dia após dia de prisão
na cidade em carne viva.
Entre em si para sempre:
tendo de seu, apenas o bodum
ranzinza do corpo
que vai se resignando
a não perseguir o inominável
nem a se persignar."

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Leituras (atualização) Escrito em 08 de setembro de 2009
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. O segundo tempo, de Michel Laub
. O gato diz adeus, de Michel Laub
. A confissão, de Flávio Carneiro
. Corpo estranho, de Adriana Lunardi

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Dia de sol é véspera Escrito em 03 de setembro de 2009
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O brado maior, em raríssima gravação Escrito em 02 de setembro de 2009
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"(...) Heróis da Liberdade é uma daquelas obras de arte que - feito o Quixote, a Nona Sinfonia, a Pietá, a cerâmica marajoara, as máscaras de Ifé e a Mona Lisa - permanecerá enquanto a humanidade permanecer. Patrimônio do espírito do homem em sua dimensão mais elevada, é simplesmente isso que temos que reconhecer nesse samba - ouvindo em silêncio reverente e mostrando aos nosso filhos e netos, para que eles cantem, um dia, aos que virão. E sintam, quem sabe, orgulho de sua condição de homens humanos feito os seus avós".

Este é apenas um trecho do magnífico texto que Luis Antônio Simas publicou agora há pouco em seu referencial blog Histórias do Brasil. No post, há link para uma raríssima gravação ao vivo do histórico samba: o coro de puxadores e pastoras do Império Serrano entoando, em 1969, "logo depois do lançamento do nefasto AI-5, o brado maior em defesa da liberdade". "Uma verdadeira declaração dos direitos fundamentais do homem em forma de epopéia", como anota Simas. Leia o texto aqui. E, com o coração devidamente preparado, ouça a gravação aqui.

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Ouvir o filme Escrito em 02 de setembro de 2009
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'Metrópolis', um do filmes cuja trilha será abordada pelo Janot

O crítico de cinema, DJ e grande amigo Marcelo Janot vai ministrar a partir de hoje, no Polo de Pensamento Contemporâneo (POP), o curso Ouvir o filme. Em quatro aulas, sempre das 19h30 às 21h30, ele analisará a importância primordial da música na realização de uma obra cinematográfica.

"Até mesmo antes do advento do som, a música já exercia determinadas funções, que foram se transformando ao longo dos anos. No curso, vamos refletir sobre essa utilização, ilustrando os exemplos com trechos de filmes e de suas trilhas sonoras", conta Janot.


'Muito além do jardim': outro que está no programa do curso

Os temas das aulas serão:

2 de setembro - Do cinema mudo ao início do cinema falado: a música surge como coadjuvante e aos poucos ganha status de protagonista.

9 de setembro - Anos 30, 40 e 50. A era de ouro de Hollywood. Os grandes compositores e as trilhas que entraram para a história.

16 de setembro - A música e o cinema de gênero: a função narrativa da trilha sonora no suspense, no western, entre outros.

23 de setembro - As trilhas do cinema contemporâneo: de Guerra nas Estrelas a Quentin Tarantino. A música pop conquista espaço.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas aqui.

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Pitadinhas Escrito em 01 de setembro de 2009
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Quem está de blog novo é a querida Daniela Name. No Pitadinhas, ela fala de música, cinema e, sobretudo, artes plásticas com a verve que sempre lhe caracterizou. "Espero que gostem, visitem, critiquem, repliquem", avisa a Dani. O Pitadinhas entra hoje mesmo para o rol dos blogs indicados pelo Pentimento.

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Humor vermelho Escrito em 01 de setembro de 2009
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Hoje, a partir das 19h, na Livraria da Travessa do Leblon, vai rolar o lançamento da coletânea de contos Humor vermelho. O livro foi rganizado pela jornalista Isabella Sales, apresentadora do programa Hora do Blush, da rádio Paradiso, e reúne textos de 22 autores, entre eles os amigos Bárbara Pereira e Alexandre Plosk. Também estão na seleta Antonio Pedro Tabet, do blog Kibe Loco, Leo Jaime e Fernando Caruso, entre outros. A Travessa fica dentro do Shopping Leblon, na Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - Loja 205-A - Segundo piso.

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