
Amanhã, a partir das 19h, vai rolar o lançamento de Suíte Dama da Noite, romance com o qual a talentosa jornalista, escritora e dramaturga Manoela Sawitzki estréia na editora Record. O livro conta a história de Júlia Capovilla, que passou grande parte da vida sonhando com o momento em que reencontraria Leon, por quem se apaixonara ainda menina. Quando isso finalmente acontece, ela se dá conta de que a única forma de mantê-lo por perto é tornando-se sua amante. A partir de então, os únicos momentos de alegria na existência de Júlia acontecem na cama, a cada crepúsculo, na suíte que dá nome ao romance.
Segundo a autora, a história surgiu de uma vontade de entender melhor a espera amorosa. “Fala-se muito sobre o amor, como começa e acaba, mas aquilo que o precede, a espera, o hiato entre o desejo e a realização pode ser uma coisa brutal”, afirma Manoel. Fiel ao enredo, o lançamento será na suíte 1201 do Hotel Olinda Othon (Av. Atlântica, 2230 - Copacabana).
Segue um trecho do livro:
"Aos dez anos, Júlia Capovilla praticava vorazmente o amor fictício, cultivando um vasto elenco de amantes
imaginários. Esperava-os penteada, vestida com toda combinação de peças de que podia dispor entre as próprias
e as deixadas pela mãe. Os lábios, lambuzados de cor-de-rosa, cheiravam a framboesa, e no rosto, o incêndio
da correria, do susto, da ousadia de sair de casa dizendo que ia ao armazém comprar rapadura, merengue ou figurinha, e tomar o rumo da estação.
Depois, perambulava com seus pares invisíveis por ruelas vazias e terrenos baldios, tomando cuidado para
que ninguém os notasse — não achava graça em brincar de amores que não fossem clandestinos. A cada novo
amado, forjava também uma nova identidade para si. A todos contava histórias fantásticas sobre seus problemas
com a máfia, os mistérios que cercavam a vizinhança, os pecados do padre Federico, os zeladores-fantasmas
que assombravam a escola, a menina que vivia acorrentada num calabouço da loja de ferragens do seu Juca.
Para Júlia, não havia criatura no mundo, homem ou bicho, que não tivesse pelo menos uma vida oculta. E ela? Ela tinha muitas."
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