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Simas, Mussa e Edgar Escrito em 12 de agosto de 2009
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Há algumas semanas, tive a oportunidade de ouvir o samba que os amigos Luiz Antonio Simas e Beto Mussa, além do Edgar Filho, inscreveram na disputa do Império da Tijuca para o carnaval de 2010. Como já adiantei aqui no Pentimento, o enredo trata da história da Rainha Jinga, uma angolana que resistiu aos dominadores portugueses na África e tem uma história fabulosa.

"Jinga nasceu entre os Jagas - uma tribo de ferreiros, canibais e feiticeiros [os Kimbandas] - se disfarçou de homem para assumir o papel de rei; envenenou o irmão; morreu em batalha; virou o mito de libertação de Angola; é cultuada nas cerimônias da congada", conta o Simas.

Agora que o samba já ganhou os retoques finais, posso afirmar sem hesitação: é ainda melhor do que o ótimo hino que os três haviam criado no último carnaval e que o Salgueiro acabou por dispensar. Espero sinceramente que a tradicional escola do Morro da Formiga, agremiação pela qual tenho tanto afeto, consagre a composição do trio. Certo é que, assim como em fevereiro passado, em 2010 estarei entre os componentes da verde-e-branca. Desfile duplo, aliás, e duplamente imperial: primeiro o Império Serrano, depois o Império da Tijuca.

Segue a letra do samba, que pode ser ouvido aqui.

"Suprema Jinga - Senhora do trono Brazngola"

Simas, Beto Mussa e Edgar Filho

"Segredos e mistérios em Matamba
Ferreiros, quimbandas, canibais
Dos Jagas, herdei minha raça
Na aldeia de Cabassa
Houve estranhos rituais

Vozes fantásticas
De onde vinham, não sei
Profetizavam: a menina será rei

A palavra que se cumprirá
Dor e sangue virão do mar

Mas nunca ninguém vai tomar a minha terra
Uma embaixada a Luanda eu vou levar
Fiz da minha escrava um trono vivo
Que vou doar

Fui batizada, estudei, tornei-me grande
Meu irmão Ngola Mbande
Meu veneno vai provar
Viril rainha
Meu harém tem mil maridos
Enfeitados, travestidos
Para me deliciar

Última batalha: mortes, traição
Mas minha lenda
É o mito da libertação

Desce o Morro da Formiga
Vem me coroar
Sou rainha Jinga,
O congo vai passar"

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