
Antônio Fraga vendeu siri e bugigandas na zona do Mangue; foi agricultor, dono de pensão e lanterninha de cinema. Circulou - e muito - fora dos ambientes letrados, e dessa experiência à margem da perspectiva do "bom gosto" e do "bem dizer", se fez escritor. Seu livro inaugural, Desabrigo, foi publicado em 1945, gerando polêmica por inovações como a livre utilização de gírias, a ausência de pontuação, o registro narrativo próximo, praticamente colado, à língua falada.
Fraga é, infelizmente, pouco conhecido mesmo no meio literário. E por isso merece tantos elogios o relançamendo de seu trabalho de estréia, que a José Olympio promoverá amanhã, com merecida festa, na Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor, 37).
Em Desabrigo e outras narrativas, a editora reuniu, além do texto que lhe dá título, outras duas novelas e quatro contos, um deles até então inédito. A apresentação e organização do volume são da professora e pesquisadora Maria Célia Barbosa Reis da Silva, especialista na vida e na obra do autor.
Ah sim: o furdunço na Ouvidor, a partir para 11h, vai ter samba e feijão amigo.
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