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Ainda a "licitação" Escrito em 26 de agosto de 2009
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Leio e ouço, enojado, os jornais e os debates nas rádios sobre a licitação da carochinha. Parece que, por ignorância, desonestidade ou má-fé, nossos comentaristas compraram a idéia de que a Liesa é o mito fundador do carnaval carioca. Copiando a estratégia da CBF com relação ao futebol, a entidade conseguiu (sabe-se lá como, ou melhor, sabe-se, sim) fazer vigorar a tese de que não houve desfiles antes de sua fundação. Ou seja, a bicharada organizada inaugurou o paraíso, antes mesmo de Adão e Eva pintarem por lá.

Outra tese que vem sendo disseminada: que a Liga, esse primor de transparência e seriedade, é a única entidade capaz de organizar com competência o carnaval. Mentira. Deslavada mentira, repetida por quem quer manter as rédeas sobre o lucro e o poder político que o desfile engendra, sob silêncio amedontrado e conivente. O que a Liesa vem operando, nos últimos anos, é a formação de uma elite entre as escolas, num processo seletivo que privilegia as agremiações vinculadas direta ou indiretamente à contravenção. Um clubinho dos amigos.

Essa ridícula ameaça de algumas escolas, garantindo que não haverá desfile caso a Liesa não ganhe a "licitação" (como se fosse possível perdê-la), apenas esfumaça a fragilidade do Edital e o fato de o documento não entrar no ponto essencial: a obscuridade da avaliação, que serve como baliza para o controle sobre as agremiações. O espantoso é que tal ameaça tenha sido reportada sem o menor senso crítico por parte da imprensa. A matéria do jornal O Dia, por exemplo, é apenas a veiculação de um release da Liesa. Sem reparos.

Sobre o assunto, saúdo a nota publicada pelo Aydano André Motta no Blog do Ancelmo, que destoa do coro dos contentes e corajosamente desmascara a chantagem pró-Liesa, e indico a leitura de mais um petardo de Carlos Andreazza (aqui).


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