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Leonardo Medeiros e Helena Ranaldi estrelam a peça
Na sexta passada, fui conferir o espetáculo A música segunda, que está em cartaz no Teatro Maison de France com preços até razoáveis (R$ 30 às quintas e sextas) para os padrões atuais. Estava curioso para conhecer a peça escrita pela francesa Marguerite Duras e isso se devia sobretudo ao tema: o reencontro de um casal que se separou não pelo adormecimento dos afetos, mas por "amar demais". O texto de madame Duras é, de fato, um primor. E é muito bem conduzido pelos dois atores: uma Helena Ranaldi gélida e dura como uma manequim de vitrine e um Leonardo Medeiros cindido entre a lamentação e a entrega.
A paixão fulminante (e excessiva, e destrutiva) vivida pelos dois no passado ressurge mais em olhares do que em palavras. É como se quisessem se lançar nos braços um do outro, mas fossem impedidos por algo que é menos da ordem da razão do que sintoma do cansaço. Como se a fagulha que ficou, embora ameaçe, nunca conseguisse provocar o incêndio. Sempre na borda. À beira de.
A trilha sonora, que em certos momentos da peça chega a assumir o protagonismo, e a iluminação, variando entre luz e sobras, ajudam a criar uma atmosfera ambígua, perfeitamente antenada com o texto. Na direção de José Possi Neto, a lamentar apenas a dispensável presença dos dois dançarinos que, ao fundo do palco, tentam "representar" as lacunas do diálogo entre os protagonistas da peça. Um expediente redundante, meramente ilustrativo, que destoa do todo por colocar negritos no que é insinuação, nuança, indeterminação.
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