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Dignidade Escrito em 15 de julho de 2009
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Jóia rara, raríssima, no meio nefasto em que a Liesa transformou o caraval carioca (com beneplácito do poder público, como bem ressalta o bom Carlos Andreazza aqui), a rainha de bateria do Império Serrano, Quitéria Chagas, deu mais um exemplo de dignidade ao anunciar a doação das pedras preciosas da fantasia com a qual brilhou na Sapucaí à escola do seu (nosso) coração. Ela, que já havia se manifestado com ênfase e coragem na ocasião do criminoso rebaixamento conduzido pelos bandidos da Liga em fevereiro passado, mostra novamente uma postura admirável.

“Sei que a escola já recusou inúmeras propostas para me substituir ao longo dos quatro anos em que desfilo como rainha de bateria. Sei também o quão difícil é, mantendo suas raízes, ser competitiva no carnaval atual. Meu gesto é uma forma de externar minha imensa gratidão ao Império, que não só não trata as mulheres de modo comercial como prioriza seu compromisso com a nossa cultura", justificou Quitéria.

A doação da fantasia acontecerá esta noite no Teatro Rival BR, durante a estreia do espetáculo Isto é Brasil, de Carlinhos de Jesus, que conta com a rainha de bateria no elenco. A fantasia conta com 100 pedras de esmeralda, avaliadas em R$ 35 mil, e será passada às mãos do presidente Humberto S. Carneiro, que terá a companhia do 2º casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex Marcelinho e Raphaela Caboclo, no palco.

Embora possam parecer tímidas diante do poderio para-estatal da Liesa, atitudes como a de Quitéria representam um afago naqueles que (ainda) acreditam na virtude, naqueles que não se vendem. São atos aparentemente pequenos e que no entanto marcam, por oposição, a flagrante divisão que há, hoje, no carnaval do Rio: de um lado, os bandidos (e quem, por omissão, os legitima); de outro, quem grita contra eles.

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