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Cacique instrumental Escrito em 29 de julho de 2009
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Há três anos, talvez um pouco mais, ouvi o Dirceu Leite comentar o projeto de gravar um disco instrumental com músicas do pessoal do Cacique de Ramos. No ato, fiquei entusiasmado com a idéia. Em primeiro lugar, pela propriedade do autor - Leite é um flautista, clarinetista e saxofonista que acompanhou (a) meio mundo do samba e, portanto, tem inegável intimidade com o repertório escolhido. Em segundo, porque costuma haver, em certos círculos, um velado preconceito contra o trabalho de compositores como Arlindo Cruz, Sombra, Sombrinha, Jorge Aragão, Almir Guineto, Franco e até mesmo, pasmem, Luiz Carlos da Vila.

O CD, pensei eu, poderia ajudar a sublinhar a qualidade das músicas produzidas por esses sambistas, que tiveram uma importância capital (e muitas vezes não reconhecida) em segurar a batuta do samba quando o gênero estava em baixa. E, para além disso, criaram canções de altíssima qualidade, que ocupam, sim, e à revelia dos puristas de ocasião, lugar de honra na história da música brasileira.

Na semana passada, fiquei sabendo que o projeto do Dirceu enfim frutificou. Ontem, o CD chegou às minhas mãos. E digo a vocês: é um discaço. O resultado final foi totalmente ao encontro das minhas (altas) expectativas. Sambas como Lucidez (Cleber Augusto/Jorge Aragão), Ainda é tempo para ser feliz (Arlindo Cruz/Sombra/Sombrinha), Fogo de saudade (Sombrinha/Adilson Victor), Pra conquistar teu coração (Luiz Carlos da Vila/Wanderley Monteiro) e Lama nas ruas (Zeca Pagodinho/Almir Guineto) têm a melodia valorizada pelo sopro inspirado do instrumentista e a participação especial de outros bambas, como Hamilton de Hollanda, Carlos Malta, Vittor Santos e Ovídio Britto.

O clima do disco é de gafieira, e os arranjos das 13 faixas são precisos no equilíbrio entre a condução dos temas e os improvisos - sem excessos e, o mais importante, sem descaracterizar as músicas (problema, por exemplo, do CD de Leandro Braga com as canções de Doma Ivone Lara). Cacique instrumental é, em suma, um álbum que une o prazer estético à importância histórica. Desde já, fundamental.

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