
![]()
Nélida e Chico são dois dos entrevistados no novo portal
A Saraiva acaba de colocar no ar um portal de conteúdo ligado à área da cultura. No site, há três seções: uma sobre música (com Mauro Ferreira), outra sobre cinema (com Cavi Borges), a terceira sobre literatura. O responsável pelo canal das letras é o Ramon Mello, que até pouco tempo mantinha um blog exclusivamente voltado a entrevistas com escritores.
No novo portal, ele tem dado prosseguimento a esse trabalho: já estão no ar conversas com Nélida Piñon e Francisco Bosco, ambas bem interessantes. "A literatura como que me guiou, foi uma luz que me fez pensar, ter paixão e olhar o outro – não como quem o olha como mirada passageira e volúvel –, me fez interpretar os códices antigos. Por isso, me tornou uma mulher arcaica e moderna ao mesmo tempo", diz Nélida, que comenta na entrevista o lançamento de seu mais recente livro, Coração andarilho.
Já o Chico Bosco fala sobre a seleta de ensaios Banalogias, a influência de Roland Barthes na sua formação intelectual, a produção poética (abandonada precocemente e em boa parte renegada), e - claro - o ofício de letrista. "Escrevo a partir de uma melodia que recebo", revela ele. para em seguida analisar a relãção letra/música: "O que considero importante é que minha formação teve uma relação com as formas fixas da poesia. O meu livro Florestado (que é um renegado) é todo em decassílabos. A experiência com a forma fixa possibilita agir melhor diante das coerções da melodia. Não é à toa que Antonio Cicero é um grande compositor. Considero uma impossibilidade teórica fazer uma letra para ser musicada. Uma letra só é letra se ela estiver atrelada a uma melodia. O que se faz é um texto, que pode se tornar uma letra se receber uma música. É uma tolice achar que um texto é mais musicável do que outro. Se fosse assim a Cecília Meireles seria sempre musicada. E, no entanto, Caetano Veloso pega o poema concreto "Pulsar", aparentemente imusicável, e faz uma canção belíssima".
Recomendo a leitura do site. Acesse aqui.
{0}