
Isso já faz algum tempo. Eu e o amigo Alberto Mussa bebíamos umas cervejas e conversávamos sobre duas de nossas paixões em comum - o carnaval e a literatura -, quando ele vaticinou: "Ter um samba meu cantado na Sapucaí seria mais importante para mim do que ganhar o Prêmio Nobel". Não hesitei em concordar, fazendo a devida observação: no meu caso, desde que fosse no Império Serrano.
Pois bem: ontem, por volta das dez e quinze da noite, participava da fundamental resenha pós-pelada lá no Clube dos Macacos quando o celular apitou, indicando a chegada de uma mensagem em SMS.
"Mussa virou enredo! O Império da Tijuca anunciou agora o Trono da Rainha Jinga".
Quem assinava a mensagem era o grande Luiz Antônio Simas. E nem precisa dizer como fiquei feliz.
Explico aos que não sabem do se trata. O Trono da Rainha Jinga é um dos livros do Mussa. Na obra, ele investiga a escravidão e esquadrinha com tintas ficcionais o trânsito de culturas entre Brasil e África a partir da história da guerreira angolana que atuou na resistência contra os colonizadores portugueses nos idos do século XVII. Segundo conta o Simas em seu blog, o enredo é baseado no romance e em manuscritos da época.
A verdade é que, a se tirar pelos enredos já escolhidos, o Grupo de Acesso promete muito para o ano que vem. O tema escolhido pelo Império da Tijuca honra a tradição da escola (já saudada aqui neste blog), que também destoa do coro dos contentes (e, assim como o Império Serrano, paga um alto preço por isso) e que ganhou um lugar especialíssimo no meu coração desde o memorável tributo a São Jorge, em 2006.
Tive a alegria de desfilar na escola do Morro da Formiga no carnaval passado, com a bela homenagem a Mestre Vitalino. Se tudo der certo, espero cerrar fileiras em 2010 ao lado do Mussa. E não tenho dúvidas ao afirmar: o Nobel chegou para ele.
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