
Sempre fui favorável à não obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Entendo que cientistas sociais, economistas, advogados, médicos etc. podem perfeitamente trabalhar como jornalistas. E mais: que enriquecem mesmo o ambiente da redação, que dão densidade aos veículos de informação. Cito apenas um exemplo, a título ilustrativo: um dos melhores repórteres da Folha de S. Paulo, o Rafael Cariello, é historiador.
Há muito tempo - e não raramente sob críticas - defendo que o jornalismo seja um curso de pós-graduação, no qual em um ano ou um pouco mais os interessados poderiam aprender as técnicas básicas do ofício. O atual modelo das faculdades de comunicação beira o patético: dois anos de matéria humanística (de resto, necessária, mas que pode ser aprendida em outros cursos) e dois anos da mais pura enganação, sob a alcunha de 'disciplinas práticas'.
Portanto, entendo que a decisão que o Supremo Tribunal Federal tomou ontem, tornando dispensável a formação específica, é digna de comemoração. O que não quer dizer que eu defenda o vale tudo. Certamente, algum tipo de regulamentação da profissão é necessária e espero, embora sem muita fé, que nossos parlamentares tratem disso (graças à inércia do Congresso, o Supremo é que está legislando no Brasil).
O site Tribuneiros (a favor do STF) e o blog do Fernando Molica (contrário) também se pronunciaram sobre o assunto e merecem a visita. A discussão, pois, continua.
{5}