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Dolores Duran Escrito em 26 de maio de 2009
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Se vocês ainda não ouviram o cd Entre amigos, registro de um sarau realizado na casa de Geraldo Casé em outubro de 1959, um conselho: ouçam. A intérprete é Dolores Duran. Curiosamente mais conhecida por sua faceta de compositora, ela brilha intensamente nas dez faixas do álbum.

Na flor dos seus 29 anos, a autora de pérolas como A noite do meu bem, Fim de caso, Estrada do sol e Por causa de você passeia por sambas-canção brasileiríssimos (Neste mesmo lugar, Coisa mais triste) e por standards das músicas norte-americana (Cry me a river, Cheek to cheek) e francesa (Hymne a l’amour) com o auxílio luxuoso de três feras: Baden Powell (violão), Mão de Vaca (guitarra) e Chiquinho do Acordeom (acordeom).

A fita analógica de rolo que deu origem ao cd foi encontrada pela pesquisadora Angela de Almeida, que prepara uma biografia da artista, e é claro que o som não tem a perfeição de uma gravação feita originalmente para virar disco. Porém, a força interpretativa de Dolores e, sobretudo, o clima descompromissado, típico de um 'encontro entre amigos' (em certos momentos, podemos escutar as conversas da cantora com os músicos), legam a esse 'problema' a mais completa irrelevância.

O cd traz ainda faixas-bônus: cantatas promovidas pelo casal Raul e Helenita Marques de Azevedo em seu apartamento no Flamengo, em 1949. Adiléia Silva da Rocha somava então apenas 18 anos e sequer havia adotado o nome artístico de Dolores Duran. Das três canções extra, duas (Eu sem você e Praça Mauá) têm a assinatura do grande Billy Blanco, na época um jovem estudante de arquitetura que se arriscava na música. A rigor, o som desses registros é qualitativamente inferior ao do resto do disco, mas eles valem - e muito - pelo aspecto documental.

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