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Veto a Tezza Escrito em 29 de maio de 2009
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No referencial blog Todo prosa, o Sérgio Rodrigues comenta o recolhimento, pelo governo de Santa Catarina, de 130 mil exemplares do livro Aventuras provisórias, de Cristovão Tezza, depois de adquiri-los para distribuição na rede escolar. A notícia foi originalmente veiculada pelo Diário Catarinense, e o Sérgio, com equilíbrio e perspicácia, salienta o que o imbrólgio parece deixar evidente: "a dificuldade extrema que o sistema educacional brasileiro tem para lidar com a literatura contemporânea, provavelmente bandeira de uma dificuldade ainda mais grave – a de lidar com o próprio ambiente contemporâneo, aquele em que os estudantes se movem, conversam, pensam e, sim, o horror!, se agarram voluptuosamente".

"Quando uma professora diz que 'o vocabulário (do livro de Tezza) é exagerado e essas palavras, queremos extingui-las da boca dos alunos', é inevitável pensar que sua pretensão está fadada ao mais espetacular dos fracassos", observa ele, para em seguida acrescentar: "O que sai da boca dos alunos – e o que entra também – não está sob seu controle. Sim, cabe à autoridade escolar determinar até que ponto as discussões sobre tais questões serão levadas para dentro da sala de aula. Nesse sentido, seu direito de recomendar determinado título e vetar outro é soberano. Pode até ser uma ode à burrice e à hipocrisia, dependendo da situação. Mas é soberano".

Leia a íntegra do post aqui.

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Lúcia Bettencourt Escrito em 29 de maio de 2009
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Hoje, o blog Prosa On Line publica conto inédito da querida Lúcia Bettencourt. Segue o trecho inicial do texto. Confira a íntegra aqui.

"Lorelai era o nome de uma colega, morena e calada.. Nunca tinham se falado, a outra olhava para ela com olhos cansados e pouco interessados. Os olhos dela, Angélica, é que se demoravam , vendo os traços de pintura e deboche que a cada manhã se renovavam. Um dia sua mãe fez questão de dar carona à outra.
- Ela mora quase que na esquina de nossa casa, explicou.
Mas não era verdade. Lorelai morava numa esquina, mas a três quarteirões
de distância. No carro as três seguiam caladas. Lorelai pensava em sabe-se lá o quê. Angélica pensava no nome da outra:
- Engraçado seu nome. Quem escolheu?
- Meu pai, que é oficial de Marinha.
Isso não esclareceu nada para Angélica, mas explicou a insistência de sua mãe em oferecer carona. A mãe tinha uma coisa com oficiais de Marinha, uma atração inexplicável., uma obsessão que atormentava Angélica. Parecia que nunca ia perdoar o fato de que ela tivesse nascido menina, o que lhe impedia, na época, o ingresso na Escola Naval. Isso também explicava como Angélica se tornara colega de Lorelai, num colégio de freiras, só para meninas (...)"

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Duas rápidas Escrito em 27 de maio de 2009
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1. Hoje, o Caderno B (Jornal do Brasil) publicou a primeira matéria sobre o Dicionário amoroso da língua portuguesa. O texto ficou muito bacana e quem assina é a Juliana Krapp. Segue o trecho inicial da reportagem. Confira a íntegra aqui.

"Declaração de amor à polifonia linguística"

Autores lusófonos de quatro continentes elegem vocábulos para um dicionário peculiar

Juliana Krapp

O mais novo dicionário a chegar às livrarias brasileiras começa com a palavra "água" e termina com "você". Traz apenas 35 verbetes – um deles inventado – e passa batido por grande parte das letras do alfabeto. Para completar, na contramão das edições publicadas no Brasil em 2009, ignora de forma peremptória o acordo ortográfico da língua portuguesa. Por aqui, "insecto" preserva sua pronúncia tão lusitana, enquanto o coloquial "peteleco", com seu som legitimamente verde-e-amarelo, sai da sombra marginal na qual está habituado a viver e ganha destaque como um dos 35 vocábulos escolhidos. No Dicionário amoroso da língua portuguesa (a ser lançado na próxima terça-feira, às 19h30, na Travessa de Ipanema), organizado pelo carioca Marcelo Moutinho e pelo português Jorge Reis-Sá, informações gramaticais e definições etimológicas são substituídas por declarações de amor ao vocabulário.
Em vez de unificar a ortografia – como tem em vista o compromisso recente assumido pelos países lusófonos – busca exatamente lançar luz à sua diversidade. Entre os 35 autores que assinam os vocábulos do livro, há representantes dos quatro continentes nos quais se fala a língua portuguesa. Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Timor Leste dão suas contribuições.

2. Ainda não está decidido, mas a se confirmar a mais forte possibilidade em discussão, o Império Serrano terá, em 2009, um enredo capaz de se ombrear ao da Vila Isabel, com seu tributo a Noel Rosa. Mais não posso dizer (por enquanto).

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Lygia Escrito em 27 de maio de 2009
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Embora com atraso, quero recomendar a leitura da excelente entrevista que Lygia Fagundes Telles concedeu ao caderno Prosa & Verso (O Globo) no sábado passado. A autora, que começa a ter sua obra relançada pela Companhia das Letras em deslumbrantes capas desenhadas pela Beatriz Milhazes, fala sobre sua reação ao reler os textos, revela que está trabalhando num novo romance e comenta a relação cotidiana com os leitores. Tudo isso impressionante maturidade e despojamento, uma lição para muita gente que, ainda engatinhando na literatura, se acha demasiadamente importante. Um trecho da entrevista:

"O quanto é importante para a senhora ser tida como uma das maiores autorais nacionais?"
Lygia: Isso não tem nenhuma importância para mim. O importante é cumprir o meu ofício, minha vocação com paixão, coisa que faço até hoje. Maior, menor, isso é coisa de político. O que importa é ser fiel ao sonho até o fim. Acertou? Não acertou? Não interessa"

Leia a íntegra, e também um ótimo perfil escrito pelo crítico José Castello, aqui.

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Dolores Duran Escrito em 26 de maio de 2009
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Se vocês ainda não ouviram o cd Entre amigos, registro de um sarau realizado na casa de Geraldo Casé em outubro de 1959, um conselho: ouçam. A intérprete é Dolores Duran. Curiosamente mais conhecida por sua faceta de compositora, ela brilha intensamente nas dez faixas do álbum.

Na flor dos seus 29 anos, a autora de pérolas como A noite do meu bem, Fim de caso, Estrada do sol e Por causa de você passeia por sambas-canção brasileiríssimos (Neste mesmo lugar, Coisa mais triste) e por standards das músicas norte-americana (Cry me a river, Cheek to cheek) e francesa (Hymne a l’amour) com o auxílio luxuoso de três feras: Baden Powell (violão), Mão de Vaca (guitarra) e Chiquinho do Acordeom (acordeom).

A fita analógica de rolo que deu origem ao cd foi encontrada pela pesquisadora Angela de Almeida, que prepara uma biografia da artista, e é claro que o som não tem a perfeição de uma gravação feita originalmente para virar disco. Porém, a força interpretativa de Dolores e, sobretudo, o clima descompromissado, típico de um 'encontro entre amigos' (em certos momentos, podemos escutar as conversas da cantora com os músicos), legam a esse 'problema' a mais completa irrelevância.

O cd traz ainda faixas-bônus: cantatas promovidas pelo casal Raul e Helenita Marques de Azevedo em seu apartamento no Flamengo, em 1949. Adiléia Silva da Rocha somava então apenas 18 anos e sequer havia adotado o nome artístico de Dolores Duran. Das três canções extra, duas (Eu sem você e Praça Mauá) têm a assinatura do grande Billy Blanco, na época um jovem estudante de arquitetura que se arriscava na música. A rigor, o som desses registros é qualitativamente inferior ao do resto do disco, mas eles valem - e muito - pelo aspecto documental.

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Habemus capa Escrito em 25 de maio de 2009
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Lembrando: o lançamento será no dia 2 de junho, terça-feira que vem, na Livraria da Travessa de Ipanema.

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Prelúdios Escrito em 21 de maio de 2009
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Autora do bom livro de contos Escola de gigantes (7Letras), Suzana Fuentes estréia amanhã a peça Prelúdios - em quatro caixas de lembranças e uma canção de amor desfeito. O espetáculo mostra o momento do desenlace da vida de uma mulher às voltas com suas lembranças depois de uma decepção amorosa.

"O mote inspirador vem das palavras Gabriel García Márquez em Cem anos de solidão, na voz de um certo cigano de passagem pelo livro: 'As coisas têm vida própria. Tudo é questão de despertar a sua alma'. Daí as lembranças nas caixas, e a vida dos objetos, companheiros de cena neste espetáculo solo. O tema é o tempo e o olhar, tempo para acordar a casa, para olhar e ver. É a porta de entrada para o riso, para não se levar tão a sério e dar a volta por cima", revela Suzana.

Em cartaz até domingo no Teatro Sérgio Porto (Rua Humaitá, 163), a peça junta linguagem teatral e mímica, música e literatura. Além de assinar o texto, Suzana interpreta a protagonista, sob a supervisão da diretora e cineasta Eunice Gutman.

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Nelson Cavaquinho e a 'Serrote' Escrito em 20 de maio de 2009
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É não menos do que excepcional o ensaio que o artista plástico Nuno Ramos escreveu sobre Nelson Cavaquinho para a edição de número um da revista Serrote. Valendo-se de sua enorme erudição, mas sem soar pernóstico, Nuno avalia a obra de Nelson sob a perspectiva da história da música brasileira e à luz da tragédia grega, traçando ainda um interessante cotejo com o trabalho de outro mestre, o também mangueirense Cartola.

Um trecho do ensaio: “À diferença da tragédia grega, o coro em Nelson Cavaquinho funde o coletivo e o individual – não há duas vozes, sempre preservadas na tragédia grega, em que dois tempos diversos parecem conviver; nem oposição entre a ação trágica do herói e o inevitável rebarbativo cantado pela ‘testemunha julgadora’, o coro. O cantor e o coro nas canções de Nelson querem cantar juntos, numa espécie de conciliação cósmica que a entrada das vozes femininas e masculinas no fim de ‘Juízo Final’, na interpretação do próprio Nelson, exemplifica com perfeição. Ali, o cantor parece arrastado por essas vozes, que atuam no mesmo sentido que ele, elevando suas palavras a um patamar que não alcançariam sozinhas. Assim, os dois polos misturam-se, acalmam-se, consolam-se. A canção perde uma imparidade lírica quase insuportável, que tenderia talvez à dissipação, consolando-se com o ato mesmo de muitos estarem-na cantando agora”.

O melhor é que, além disso, a revista traz outros ótimos textos. Exemplos: uma análise de Rodrigo Naves sobre o ilustrador Saul Steinberg, um artigo de Tostão sobre a arte do passe, aforismos de Kafka traduzidos por Modesto Carone, uma carta de Mario de Andrade a Otto Lara Resende. Publicada pelo Instituto Moreira Salles, a Serrote estrou em altíssimo nível.

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O dom Escrito em 19 de maio de 2009
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Foi o amigo Flavio Izhaki, então trabalhando na editora Record, quem me soprou: "Vai sair um ótimo livro de um autor português, bem novo ainda, chamado Jorge Reis-Sá". Ouvi a dica do Flavio e, assim como ele, fiquei encantando com a singeleza lírica de Todos os dias, o tal livro. Na época, cheguei a resenhar o romance para o Prosa & Verso (O Globo).

Depois disso, acabei conhecendo o Reis-Sá (com quem, aliás, organizo hoje o Dicionário Amoroso), que é também editor e publica em Portugal vários autores brasileiros. Há cerca de duas semanas, ele lançou por aqui o romance O dom, um livro em quase tudo distinto do anterior e cuja orelha tive a honra de escrever. Segue o texto:

De um instante para outro e sem razão aparente, os moradores de uma cidade começam a se transformar em contas como as que se usam na confecção de colares. Apenas um pequeno grupo, confinado ao centro comercial do lugar, parece ter se livrado da misteriosa peste. Seus membros pagam, no entanto, o preço da clausura.

Há uma exceção: o indivíduo que, também sem qualquer explicação, manifesta desde logo o poder de sair do prédio e respirar o ar que circula do lado de fora sem ser atingido. É o Homem do Dom.

No microcosmo imaginado por Jorge Reis-Sá, este homem funciona como o pêndulo que ora congrega, ora divide o grupo. À medida que os dias passam e tensionam ainda mais a situação-limite, os conflitos internos se multiplicam, a luta pelo poder se intensifica e, consequentemente, a violência aflora.

Nesse cenário, a extraordinária capacidade do Homem do Dom suscita inveja - e ao mesmo tempo veneração. Aos olhos dos demais, ele personifica o Bem, mas também o Mal. Encarna, sob perspectivas antagônicas, as figuras arquetípicas de Deus e do demônio. Enfumaça os limites entre paganismo e crença.

Se em 'Todos os dias', romance anterior, o autor apostou num registro reflexivo, lírico, muito próximo da poesia, neste livro a ação é a força-motriz. Ecos do célebre Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, ressoam nos personagens - identificados não pelos nomes, mas por sua condição - e no próprio enredo. Porém, diferentemente de seu conterrâneo, Reis-Sá abdica de dispensar um valor moral à sua história.

Embora o tom geral seja de parábola, 'O dom' move-se no terreno da dúvida, não no da certeza. Não há exatamente lição a tirar. Exceto, talvez, a de que a palavra é sempre escassa, sempre deficitária ante os intrincados labirintos da experiência humana.

Marcelo Moutinho

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De volta Escrito em 18 de maio de 2009
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Cheguei, mas ainda estou desarrumando as malas. Do Canadá, trouxe objetos, lembranças, um inglês melhor e a imagem das tulipas que enfeitam Toronto (e que fotografei obsessivamente).

A partir de amanhã, prometo que o ritmo aqui volta ao normal. Aviso desde agora, no entanto, que o lançamento do Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa já está marcado. Será dia 2 de junho, na Livraria da Travessa de Ipanema. Marquem nas agendas.

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