
Sim, sim, ando sumido. Os motivos são muitos: o fechamento do jornal, a encomenda de um conto para uma antologia, os últimos detalhes do Dicionário Amoroso e, claro, os preparativos para a viagem ao Canadá - passarei três semanas estudando (e escrevendo, espero) em Toronto.
Nessas duas semanas atribulados, vi dois filmes que gostaria de recomendar. O primeiro deles é Gran Torino, que sem favor incluo entre os melhores trabalhos de Clint Eastwood. Com a direção segura e uma atuação que só ele mesmo poderia nos oferecer, Clint presta reverência às formas clássicas do cinema hollywoodiano sem que seu filme perca o viço e a contundência. Mais que simplesmente o retrato do ocaso do típico herói 'eastwoodiano' (como se bem comentou por aí), Gran Torino é uma lente grande angular sobre o descompasso do homem envelhece com as coisas que o tempo (quase sempre) torna diferentes.
O outro filme é Persépolis, uma animação de traços elegantes e majoritariamente desenhada em preto e branco na qual a iraniana Marjane Satrapi conta a própria trajetória. A saber: a história de uma menina precoce, filha de pais ligados à esquerda, que cresce durante a Revolução Islâmica. Didático sem cair no didatismo, com uma abordagem crítica mas não maniqueísta, Persépolis faz uma viagem lírica (vá lá, algo tristinha) pelas dúvidas e pelos sentimentos da irresistível protagonista, que parece ser sempre estrangeira, onde quer que esteja.
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