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Com a palavra, Eraldo Leite Escrito em 05 de março de 2009
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Não, nós não vamos parar até que alguma providência seja tomada (qual seja, a intervenção do poder público da Liga da Bandidagem). Desta vez quem se manifesta é o grande Eraldo Leite, radialista que comanda o esporte na Rádio Globo e hoje preside a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado do Rio de Janeiro. No artigo abaixo, publicado aqui no Pentimento numa co-edição com o bravo site Tribuneiros, Eraldo não perdoa os jurados do carnaval e faz coro ao nosso pedido por uma atuação digna e corajosa da Prefeitura.

"Linchamento"

Eraldo Leite

"Dizem que o tempo ajuda a curar as feridas. Nem sempre. O que fizeram com o Império Serrano no carnaval de 2009 foi covardia, uma literal execução sumária, sem direito a julgamento.

O Império fez sua melhor preparação em pelo menos dez, 12 anos. Caprichou no que tem de melhor: escolheu reeditar um enredo com samba impecável e arrebatou o público na Sapucaí; ensaiou novas bossas para a bateria que já é a melhor faz tempo; repatriou um dos melhores cantores da atualidade, Nêgo, chamado por Neguinho da Beija-Flor de 'Rei da Sapucaí'.

E tratou de corrigir os problemas que afligiam a escola nos desfiles de carnavais anteriores: trabalhou a harmonia, para não permitir buracos e correria de alas (como fez a Mocidade). Para isso multiplicou o número de ensaios. O Império foi a única escola a fazer quatro ensaios técnicos na Passarela; cuidou das alegorias e fantasias com sensibilidade de alma feminina (nenhuma alegoria apresentou carros com fita isolante aparecendo ou pedaços despencando, como na Mangueira); nenhum carro quebrou (como o da Porto da Pedra que desacoplou e ela não foi penalizada, desfilando com nove carros).

Tantas escolas erraram tanto e o Império Serrano não errou nada. Não fez o desfile mais luxuoso, mais portentoso, mas fez uma exibição bonita, correta e empolgante, coisa que pelo menos quatro outras escolas não fizeram. Quem caiu? O Império. Houve julgamento? Estavam na Sapucaí quarenta julgadores escolhidos por uma Liga que não tem princípios (aliás, nem meios e fins), que escolhe de antemão quem deve ficar e quem deve sair.

Deviam se envergonhar, senhores julgadores, porque a opinião pública está envergonhada. Enojada de vocês. Passou da hora de o poder público (alô, prefeito Eduardo Paes!!!) chamar pra si a responsabilidade e passar a limpo o carnaval, indicar os jurados, colocando gente renomada e descomprometida com a contravenção. Talvez, assim, não haja um novo linchamento público.

Ali-Babá perdeu esse carnaval. Mas os 40 ladrões estavam lá".

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