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Covardia com Brizola Escrito em 30 de março de 2009
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Era minha intenção escrever aqui sobre a edição criminosa que O Globo nos fez ver ontem. Mas o Carlos Andreazza foi mais rápido lá no site Tribuneiros. Assim como o Andreazza, nunca reservei grandes simpatias pelo velho Briza, embora sempre lhe tenha respeitado. E não só por esse respeito, mas também - e sobretudo - pelo respeito ao primado ético que deve ser cláusula pétrea do jornalismo, é que repudio, enojado, os covardes ataques que o jornal desferiu contra a memória de Leonel Brizola.

Com o devido cuidado para evitar processos (valendo-se da cínica observação de que "não há provas"), O Globo 'esquentou' informações que não passam de mera especulação, a ponto de transformá-las em manchete de sua edição mais concorrida (a de domingo). A intenção disso, ao menos na visão daqueles que não vivem no mundo cor-de-rosa de Poliana, é bastante evidente.

Recomendo, portanto, a leitura do ótimo e duro artigo do Andreazza. Publico, abaixo, alguns trechos. Confira a íntegra aqui.

"Desagravo a Brizola, contra o jornalismo anão"

Carlos Andreazza

"Nunca gostei de Brizola, vivo ou mitificado - e sempre acreditei [como ainda hoje] que muito do que o Rio de Janeiro possui de pior tenha origem [ou profundidade] em suas administrações. (...)

Minha opinião, porém, em nada admite a barbárie que O Globo comete desde domingo [29 de março], em série nomeada “Arquivos da abertura”, por meio da qual, sem prova alguma e, portanto, baseando-se em investigações - ademais empreendidas por órgãos de espionagem militar - que jamais tiveram seguimento, associa [ou deixa associar, covardemente] o ex-governador ao crime organizado e ao movimento de propinas, o que é inaceitável e, sob mínima reflexão, muito perigoso.

Que se desconsidere, vá-lá, o mau [o péssimo] jornalismo… Pensemos apenas nos riscos [morais] de se tratar por verdadeiro, onde quer que seja, o que é mera especulação mal-intencionada, de resto francamente mergulhada na ideologia duma época em que o fanatismo conspiratório Direita x Esquerda, visto felizmente à distância, convida muito mais à desconfiança que à descoberta.

Por esta leitura difamadora e policialesca, a que nos oferece O Globo [jornal historicamente anti-brizolista], ninguém estará livre de ser enredado - em manchete - numa denúncia grave cuspida sem apuração; ninguém, cedo ou tarde, escapará desta forma hedionda de acusação, de disseminação da calúnia, que se vale do caráter até então secreto dos documentos para lhes dar, pela confidencialidade [assaz questionável, registre-se], tamanha legitimidade, ao que vem concorrer o tempo, a desmemória do tempo, os mais de vinte anos - e é este portanto outro perigo, imenso, da estupidez histórica corrente: conferir peso, verdade, sabedoria, a um papel simplesmente pela idade que o amarelado das suas bordas sugere".

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