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À moda de Michel Laub Escrito em 16 de março de 2009
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Uma exposição - Roberto Burle Marx 100 anos - A permanência do instável, no Paço Imperial. Estive lá no sábado passado e garanto que a mostra é imperdível. Estão reunidos 335 trabalhos do artista, entre pinturas, desenhos, tapeçarias, gravuras, painéis, jóias, projetos paisagísticos, maquetes e fotografias. A parte dedicada ao paisagismo é especialmente deslumbrante - e altamente informativa. Os registros fotográficos (em plongée) de projetos como o do calçadão da Avenida Atlàntica e o do Parque do Flamengo, por exemplo, permitem uma visualização mais completa dos sinuosos desenhos criados por Burle Marx, que passeou pela arte abstrata, pelo concretismo e pelo construtivismo.

Uma peça - A última gravação de Krapp / Ato sem palavras, no Teatro Sesc Ginástico. Assisti ao espetáculo, que tem direção de Isabel Cavalcanti, na última sexta. A atuação de Sérgio Britto (justamente contemplado com o Prêmio Shell por esse trabalho) é comovente. E a conjugação dos dois diferentes textos de Samuel Beckett numa mesma encenação se mostrou coesa, coerente e orgânica. No primeiro deles, o velho Krapp grava os acontecimentos mais marcantes do ano que se passou e ouve passagens de anos anteriores, hábito cumprido religiosamente em todos os seus aniversários. No segundo, um homem isolado no deserto persegue em vão as sombras de uma árvore e de uma garrafa de água. Seja na palavra que sobra (na verborragia das gravações), seja na palavra que falta (no silêncio clownesco), retratos da solidão. A lamentar, somente a amplitude do teatro para uma peça tão íntima.

Um site - O Skoob, que foi objeto de matéria do suplemento Idéias (Jornal do Brasil) no sábado passado, é um porto irresistível para aqueles que têm uma relação obsessiva com os livros. Nessa espécie de Orkut composto apenas de leitores compulsivos, você pode registrar (e comentar) as obras que leu ao longo da vida, além de elencar as que ainda vai ler. A página permite também que os participantes confiram qual é sua compatibilidade literária com os amigos que integram a rede. Enfim, uma brincadeira tão inútil quanto deliciosa.

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