
Recebi alguns e-mails perguntando sobre o resultado da final do Imprensa Que Eu Gamo. Não ia comentar o assunto porque me desagradou constatar (mais uma vez) que a disputa no tradicional bloco dos jornalistas acabou se transformando numa mini-final de escola de samba. Resumindo: quem não leva claque, manda fazer camisa etc., não tem chance. Dou parabéns aos vencedores (tricampeões!), mas acho muito difícil, mas muito difícil mesmo, eu voltar a colocar um samba lá.
De qualquer maneira, fiquei comovido ao ler o texto que meu parceiro Eduardo Carvalho escreveu, em seu blog Samba, boemia e vagabundos! , sobre a nossa experiência de compor e participar do concurso. Anota ele: "Não teve foto, mas está tudo guardado na saudade: os encontros, a conversa sobre sambas-enredo, a troca de e-mails ajustando a letra, a tensão, as cervejas, a expectativa, o ensaio no banheiro do Odisséia, a esperança, a derrota - que, no fundo (pensem nisso!), não importa muito."
Deixo então com vocês a letra do nosso samba, se por nenhum outro motivo, para que tenha um registro antes de morrer, como morrem quase todos os sambas derrotados.
Um chope sem ordem no Carnaval
Bárbara Pereira / Candida Carneiro / Eduardo Carvalho / Gabriel Cavalcante / Guilherme Sá / Fernando Molica / Marcelo Moutinho / Luiz Antonio Simas
Amor, não trema
Eu não vou te deletar
Tira o hífen do caminho
Põe o acento com jeitinho
Que o Imprensa vai passar
Você é ‘A Favorita’
A cabrocha mais bonita
Primeira-dama!
Deixa eu ser o seu negão
Sua cota de paixão (bis)
O seu Obama!
A Dilma tá linda demais
O Serra vai botar peruca
Ronaldo só faz gol por atrás
E gosta de um calor na nuca
A Flora da Cláudia Ohana
O Minc não quis preservar
Quero chope, não quero choque
A minha ordem é sambar
Vou jogar o sapato na tristeza
Hoje não tenho pauta, que beleza!
Se a grana tá curta, peço licença (bis)
E afogo a crise na marola do Imprensa.
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