
Recomendo a leitura da coluna do Eduardo Carvalho no site Tudo de Samba. Com muita pertinência, ele mete a mão na cumbuca do método elaborado pela Liesa para o lançamento das notas por parte dos jurados do Grupo Especial. Aliás, adianto que está para sair na imprensa um alentado artigo do Carlos Andreazza sobre outro ponto da questão: os critérios para as notas. Ambos, garanto a vocês, textos fundamentais. Segue um trecho da coluna do Eduardo, que pode ser conferida na íntegra aqui.
"(...) É o seguinte: o jurado só pode lançar a nota final do seu quesito depois que a última escola de samba tiver desfilado, na manhã da terça-feira de Carnaval. Com a palavra, o Manual do Julgador, que em seu item 5, chamado "Material de Trabalho", diz, sobre as coisas que o jurado recebe: "(...) Um exemplar do Caderno de Julgamento, contendo os originais dos Mapas de Notas, que só deverão ser preenchidos e assinados após a passagem da última agremiação desfilante na segunda-feira de Carnaval, transcrevendo, do rascunho para o Mapa, as notas definitivas e suas respectivas justificativas".
Determinação que é reforçada, mais adiante, em "Orientações sobre o Julgamento", na parte que trata de "Preenchimento e Entrega do Caderno de Julgamento": "O preenchimento do original do Caderno de Julgamento do Grupo Especial só deverá ser feito após o desfile da última agremiação a se apresentar na segunda-feira de carnaval".
Deu para perceber o problema? Não?
Pois vamos imaginar - só imaginar - que um julgador considere que, por exemplo, uma escola da primeira noite tenha sido perfeita, irretocável em relação ao quesito julgado por ele. Ele anota, rascunha e "guarda" aquilo que viu. Aí, na manhã do dia seguinte - e isso não é mais imaginação, é fato - ele vai para casa sem ter dado a nota.
No transporte a caminho do lar, vai conversando com o acompanhante que tem direito de levar à Sapucaí, de quem ficou separado no desfile, mas com quem, naturalmente, trocará idéias sobre os desfiles da noite. Nada mais natural. Depois, nosso jurado chega em casa e dorme. Acorda. Lê jornais, navega na internet, vê televisão. Recebe ligações - por favor, sejamos puros - de amigos que querem tão somente comentar o que viram (pessoalmente, na televisão, na internet...) e saber também o que ele achou. (...)"
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