
Houve um tempo em que as pessoas se dividiam entre aquelas que eram pró-Godard e aquelas que eram pró-Truffaut. Isso foi um pouco antes da época em que eu comecei a ter uma (vaga) noção sobre as coisas, inclusive o cinema. Mas lhes digo: nessa peleja, sou Truffaut desde criancinha. Talvez porque embora os dois diretores tenham feito, de suas obras, ode e reflexão sobre a Sétima Arte, Godard acabou se enredando completamente nos jogos de metaliguagem, enquanto Truffaut nunca deixou que seus filmes perdessem contato com aquilo lhes fornecia viço e matéria-prima: a vida das pessoas. Mais que isso: nunca fez, da chatice, signo de genialidade (perdida?).
Sou Truffaut, e não Godard, assim como sou Camus, em vez de Sartre. Ou mais Clarice que Rubem Fonseca. E minha paixão está estampada nas paredes lá de casa: pôsters de Jules e Jim - Uma mulher para dois e de O homem que amava as mulheres (este que já me rendeu uns olhares enviezados de F.).
Mas por que falar em Truffaut hoje? Simples, muito simples. Porque acabo de saber que, na esteira das comemorações do Ano da França no Brasil, a Caixa Cultural está promovendo uma sensacional mostra com os filmes do diretor. Hoje, por exemplo, serão exibidos o já citado O homem que amava as mulheres e o delicioso A noite americana, poderosa e lírica homenagem ao ofício de quem faz cinema, à arte de brincar com a ilusão. Filmaço.
No fim-de-semana, ainda tem Na idade da inocência, A história de Adèle H, A noiva estava de preto e Atirem no pianista. A mostra segue até dia 8 de fevereiro, com ingressos bem em conta: R$ 4 (inteira), R$ 2 (meia) e R$ 10 (passaporte para oito sessões). Confira a programação completa aqui.
{0}