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Woody na área Escrito em 14 de janeiro de 2009
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Ótima notícia é o lançamento, em DVD, de O que há, tigresa?, Memórias, Broadway Danny Rose e Dias de rádio, filmes do grande Woody Allen sumidos do mercado desde a época do VHS (os dois primeiros, creio eu, nem chegaram a sair em vídeo).

Longa de estréia do diretor, O que há, tigresa? é uma adaptação satírica de thrillers de espiões japoneses. Memórias e Broadway Danny Rose remontam à fase na qual Allen deixou mais evidente a influência de seu mestre, Ingmar Bergman, muitas vezes chegando mesmo a imitá-lo (caso de Interiores, por exemplo).

Sintomaticamente, em Memórias, Allen interpreta um cineasta famoso por suas comédias e que cansou de ser engraçado. Em determinado fim de semana, à beira de um ataque de nervos, ele comparece a uma retrospectiva de seus filmes, onde acaba tendo que se confrontar com o passado.

Broadway conta a história de um agente artístico fracassado, que trabalha para sapateadores de uma perna só e ventríloquos gagos, e se vê diante de uma oportunidade de sucesso quando seu principal cliente é convidado a realizar um show no Waldorf.

Ao lado de produções como Setembro (e este, quando será lançado?) e o já citado Interiores, entre outras, Memórias e Broadway de certa forma ilustram uma etapa transitória na carreira (e na obra) de Allen. Estão entre o riso rasgado dos primeiros anos e a fina comédia dramática que acabou se sedimentando como sua marca.

Era do rádio é um trabalho singular, embora traga algumas da obsessões do diretor, como os traumas (e maravilhamentos) da infância, e a nostalgia. A partir das lembranças de um garoto de dez anos, Allen constrói um mosaico afetivo sobre a época de ouro das transmissões radiofônicas. Há uma seqüência, em especial, neste filme que me emociona a cada vez que o revisito: o momento em que, ao som da comovente If you are but a dream, na voz de Frank Sinatra, o garoto sobre as escadas do Radio City Music Hall até se deparar com as cortinas vermelhas e experimentar, num rasgo de fascínio que coincide com o ponto alto da canção, um mundo inteiro de coisas novas numa tela.

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