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Benjamin Button Escrito em 28 de janeiro de 2009
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O curioso caso de Benjamin Button tem todos - reitero: todos - os defeitos do chamado 'cinemão'. É excessivo quando deveria ser sutil, é açucarado quando se pretende poético e apela sem reservas ao sentimentalismo mais barato. É verdade que o filme de David Fincher tem também a principal qualidade da produção made in Hollywood: a quase perfeição técnica (com destaque para o impressionante trabalho de maquiagem).

Não li o conto de F. Scott Fitzgerald que lhe deu origem, embora tenha ficado bastante curioso. Amigos que o leram recomendaram fortemente, e a premissa é, de fato, engenhosa: a história de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo à medida que os anos passam. Um homem que vive na direção contrária de seus pares.

No filme (ignoro se no conto também), o conflito principal se dá quando o protagonista, envolvido com a mulher por quem foi apaixonado desde a infância (velhice?), conclui que não há futuro ao lado ela. Afinal, como ter filhos, como criar os filhos, se seu amanhã é fatalmente tornar-se uma criança?

Durante a sessão, me peguei pensando na dureza que é se ter a consciência sobre a finitude das relações amorosas, de amizade - na finitute de todas as coisas. Pensei também se não seria uma dádiva a inversão experimentada pelo protagonista: amadurecer internamente enquanto o corpo ganha jovialidade.

Mas, passados alguns dias, percebi que não. Que malgrado a doída consciência de que a morte nos espera - irremediavelmente - ainda mais terrível seria morrer sem a lembrança da trajetória cumprida, com seus altos e baixos. Sem o afago - ainda que pequenino, frágil - da memória.

Benjamin Button morre no branco total, no zero, no nada absoluto. E talvez por isso o filme seja tão triste.

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