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O Grupo Cultural atende hoje a 120 crianças
Quem costuma ler o Pentimento, sabe que não me incluo entre os que acreditam na falta de recursos financeiros como atenuante (ou justificativa) para a criminalidade - acho que há muitas outras nuances nesse debate. Tampouco me filio às correntes que condenam o poder policial sob qualquer pretexto, num discurso tão fácil quanto simplista. No entanto, quando o ataque policial se traveste de operação de segurança para, na verdade, criminalizar precipuamente a pobreza, a coisa é diferente.
Na sexta-feira passada, a Polícia invadiu o Morro da Serrinha em busca de traficantes. Natural: uma corporação cumprindo sua tarefa. Só que, durante as atividades, invadiu a sede do Grupo Cultural Jongo da Serrinha, destruindo móveis e revirando armários. "As aulas foram suspensas. Ainda não tivemos condições de calcular os prejuízos porque o clima no local está muito tenso", afirmou Dyone, coordenadora-executiva do Grupo, ao Globo On.
Com 40 anos de história, o grupo de Madureira foi fundado por Mestre Darcy e sua mãe, Vovó Maria Joana Rezadeira, que, preocupados com a extinção do jongo na cidade, comaçaram a estimular a prática e a divulgar a antiga dança praticada nos quintais da Serrinha. O Grupo Cultural hoje atende a 120 crianças da comunidade.
É lamentável, estarrecedor, vergonhoso que o Estado violente esse trabalho e essa tradição.
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